Mercado derrete após reeleição de Lula: Ibovespa cai 13,88% e dólar sobe 8,25%
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, no domingo, transformou a primeira segunda-feira pós-eleição em um teste de resistência para investidores. Com os ativos brasileiros em forte queda, quem possui recursos para aplicar enfrenta dilema: aproveitar preços mais baixos e taxas mais altas ou aguardar a normalização do mercado.
O Ibovespa despencou 13,88%, fechando aos 176.608 pontos, depois de encerrar a sexta-feira acima de 205 mil pontos. Durante o pregão, o índice chegou a cair mais de 17% e acionou o circuit breaker pela primeira vez desde março de 2020. A interrupção das negociações, que durou 30 minutos, alcançou ações, BDRs, ETFs, opções ligadas a esses ativos e títulos privados de renda fixa. O dólar comercial, por sua vez, subiu 8,25%, atingindo R$ 5,40.
O resultado das urnas surpreendeu o mercado. Desde 1989, nenhum candidato que havia terminado o primeiro turno na segunda colocação havia conseguido virar a disputa. No primeiro turno, Flávio Bolsonaro saiu na frente com 47,03% dos votos válidos, correspondendo a 56,1 milhões de votos, enquanto Lula somou 45,16%, ou 53,8 milhões. O cenário se inverteu no segundo turno com a vitória de Lula.
Os ativos de renda fixa também sofreram com a volatilidade. Os títulos prefixados do Tesouro Direto tiveram a maior alta diária de taxas de sua série histórica, superando o recorde registrado em março de 2020, durante a pandemia de Covid-19. Apesar dessa elevação nas taxas, analistas divergem sobre a atratividade dos papéis neste momento.
As varejistas concentraram algumas das perdas mais intensas do dia. A Magazine Luiza registrou o segundo pior desempenho do Ibovespa, recuando 58% a 59,81%, negociada a R$ 5,10. A C&A também figurou entre as maiores baixas, perdendo 48,84%, cotada a R$ 7,08. Lojas Renner cedeu 35,60%, a R$ 9,39, enquanto Americanas caiu 27%, a R$ 4,84. Este último recuo ocorreu menos de dez dias após o encerramento da recuperação judicial da companhia. Construtoras e varejistas endividadas também apresentaram perdas expressivas.
Para Vinícius Romano, coordenador de Investimentos da Suno Consultora, muito do movimento atual representa uma reversão da alta registrada após o primeiro turno, quando Flávio Bolsonaro surpreendeu com votação superior à de Lula. Romano ressalta que eleição não é um tema surpresa, comparável a um "cisne negro" como uma pandemia, e não deveria alterar a estratégia do investidor. "Agora é manter a cabeça no lugar e não comprar ou vender no calor do momento", recomenda.
A maioria dos especialistas ouvidos desaconselha movimentos bruscos, mas há divergências relevantes sobre onde alocar recursos neste cenário. Para as ações, Romano sugere aportes em empresas de qualidade, como nomes do setor financeiro e elétrico. Outros analistas, como Balassiano, Chicoli e Coutinho, argumentam que a queda apenas devolve o prêmio eleitoral e que a Bolsa pode seguir cara se questões fiscais não forem endereçadas. Faria Junior não vê oportunidade nem com ações mais baratas em dólar, citando riscos de recessão e concorrência dos ativos americanos. A recomendação geral para ações é entrar aos poucos, com preferência por exportadoras e commodities, que tendem a resistir melhor, evitando varejo e construtoras endividadas.
No Tesouro prefixado e IPCA+, Sá, da Akros, recomenda IPCA+ para investidores com horizonte de longo prazo que tolerem volatilidade. Corano Capital, porém, aconselha não fazer movimentos agora, considerando que o próprio Tesouro suspendeu os leilões. Para quem busca travar taxa, a sugestão é dividir aportes em parcelas vinculadas ao calendário de decisões do Copom, do Ministério da Fazenda e de votações de Orçamento. Investidores que já possuem títulos longos não devem vender neste momento de volatilidade extrema.
Matéria reescrita por inteligência artificial do Pense Mercado a partir das fontes acima, sob as regras da nossa política editorial. Não constitui recomendação de investimento.