Morgan Stanley prevê dólar a R$ 5,60 e queda de até 30% da Bolsa após reeleição de Lula
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva intensificou as preocupações dos investidores com a trajetória das contas públicas brasileiras, segundo análise divulgada nesta segunda-feira pelo Morgan Stanley. O banco prevê uma forte correção nos ativos brasileiros nos próximos meses, com o mercado precisando reprecificar um cenário no qual mudanças relevantes na condução da política econômica se tornam menos prováveis.
No parecer do Morgan Stanley, o resultado eleitoral aumenta a probabilidade de um ambiente mais desafiador para as ações brasileiras. Os estrategistas destacam que os compromissos assumidos durante o ciclo eleitoral, a rigidez do orçamento e a desaceleração da atividade econômica ampliam os riscos para o resultado fiscal de 2027 e podem levar a uma deterioração mais pronunciada da dívida pública. O cenário político também é visto como desafiador, já que o novo Congresso terá perfil mais inclinado ao centro e à centro-direita, o que pode dificultar a aprovação de medidas estruturais.
A escolha do próximo ministro da Fazenda e os sinais sobre um eventual ajuste fiscal serão cruciais para determinar o comportamento dos mercados nas próximas semanas, conforme avaliação da instituição.
No mercado de câmbio, o Morgan Stanley prevê uma desvalorização gradual do real. O banco espera que o dólar teste a faixa de R$ 5,50 inicialmente, podendo avançar para R$ 5,60 ou R$ 5,70 à medida que investidores incorporem um prêmio de risco fiscal mais elevado. Em um cenário mais adverso, no qual o mercado passe a enxergar risco de dominância fiscal, o câmbio poderia alcançar R$ 6,00. Fatores sazonais tradicionalmente negativos para a moeda brasileira nos meses de novembro e dezembro podem intensificar os movimentos de depreciação.
Já nesta segunda-feira, o dólar à vista operava com alta de 12,25%, cotado a R$ 5,605 na venda às 9h42. O dólar futuro para novembro, o mais negociado no Brasil, disparava 12,78% na B3, aos R$ 5,610. Leonardo Mendes, economista e consultor financeiro da Manchester Investimentos, observou que o resultado da eleição representou uma mudança importante na percepção de risco do mercado brasileiro.
Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, o mercado vinha incorporando nos preços a possibilidade de uma mudança na condução da política fiscal, com maior controle dos gastos públicos. Com a vitória de Lula, investidores devem rever essas expectativas, especialmente diante de um cenário em que o presidente não conta com maioria própria no Congresso. A expectativa, conforme o especialista, é de uma semana de maior cautela, com o Ibovespa pressionado, dólar em alta e juros futuros subindo.
No mercado de renda variável, o Morgan Stanley projeta uma correção significativa. Para a renda variável, a instituição aponta que o cenário eleitoral marca um ambiente mais desafiador para as ações brasileiras, caracterizado por câmbio mais fraco, juros elevados e crescimento econômico mais lento. O banco prevê uma queda de entre 20% e 30% da Bolsa.
Em relação aos juros, o Morgan Stanley estima uma abertura de pelo menos 300 pontos-base na curva, com parte relevante do movimento refletindo a redução das apostas de cortes da Selic e a incorporação de um prêmio adicional ligado à situação fiscal.
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