Ibovespa cai 0,44% pressionado por Petrobras e Vale
O Ibovespa encerrou esta quarta-feira em queda de 0,44%, fechando aos 170.506,66 pontos. O índice de referência do mercado acionário brasileiro registrou mínima de 169.668,34 pontos e máxima de 171.342,05 pontos durante o pregão, com volume financeiro total de R$ 27,49 bilhões.
Petrobras foi o principal fator de pressão sobre o índice. A ação PN (PETR4) cedeu 2,64%, fechando a R$ 38,29, enquanto a ação ON (PETR3) recuou 2,68%, a R$ 42,80. A queda das ações da petrolífera acompanhou o declínio do petróleo no mercado internacional. O contrato do Brent para setembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres, encerrou com queda de 3,81%, cotado a US$ 73,87 o barril. A queda reflete a expectativa de normalização do Estreito de Ormuz após acordo entre Estados Unidos e Irã. Vale ressaltar que Petrobras detém aproximadamente 12% de participação na carteira teórica do Ibovespa.
No mesmo período, Petrobras divulgou que o campo de Búzios, operado pela companhia no pré-sal da Bacia de Santos, atingiu produção média recorde de 1,1 milhão de barris de petróleo por dia. Outras empresas do setor de energia também foram impactadas: PRIO ON (PRIO3) caiu 3,57%, PETRORECONCAVO ON (RECV3) perdeu 1,19% e BRAVA ENERGY ON (BRAV3) fechou praticamente estável, com acréscimo de apenas 0,16%.
Vale (VALE3) também pressionou o índice, recuando 2,08% para R$ 77,73. A queda contrasta com a recuperação dos futuros do minério de ferro na China, que encerrou com alta de 0,74%, cotado a 744 yuans (US$ 109,56) a tonelada. Vale detém cerca de 11% de participação na carteira do Ibovespa. No setor de mineração, CSN (CSNA3) foi destaque negativo com queda de 3,98%, perdendo R$ 5,06. Investidores também acompanham especulações sobre o pedido de destituição do presidente do conselho de administração da Vale feito pela Previ, que detém uma participação de 6,8% na companhia.
O setor bancário registrou leve alta, com o Índice Financeiro (IFNC) avançando 0,21%. Itaú (ITUB4), que representa cerca de 8% da participação na carteira do Ibovespa, recuou 0,19%, fechando a R$ 40,97. Bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa.
Entre os destaques positivos, C&A (CEAB3) liderou as altas com avanço de 8,87%, fechando a R$ 10,68. O desempenho foi respaldado por análise do Itaú BBA que considerou a ação como "irracionalmente" barata, com potencial de alta de 103%.
No cenário de fluxo externo, a bolsa paulista continua apresentando saída de capital estrangeiro. Em junho, até o dia 22, o fluxo de capital externo foi negativo em quase R$ 6,5 bilhões, quando excluídas ofertas de ações (IPOs e follow-ons). No acumulado do ano, o saldo ainda permanece positivo em cerca de R$ 35,2 bilhões.
No mercado americano, os índices fecharam sem direção única. O Dow Jones subiu 0,35%, mas o S&P 500 cedeu 0,1% e o Nasdaq caiu 0,43%. O pregão também foi marcado pelo alívio nos rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
No cenário doméstico, o mercado aguarda maior detalhamento da perspectiva para a inflação do Banco Central no Relatório de Política Monetária (RPM), que será divulgado na quinta-feira, às 8h. Além disso, a prévia da inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15) de junho também sairá amanhã, com expectativa de números ainda pressionados. O dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,2020, com alta de 0,28%.
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