Ibovespa sobe a 174 mil pontos com aposta em corte da Selic em agosto
O Ibovespa conquistou sua segunda alta semanal consecutiva nesta sexta-feira, 3, fechando aos 174.070,27 pontos, com avanço de 0,74%, retomando o maior nível desde 2 de junho. O índice oscilou entre a mínima de 172.790,39 pontos na abertura e a máxima de 174.664,35 pontos durante a tarde, com um giro financeiro de R$ 12,62 bilhões, volume reduzido pelo feriado da Independência dos Estados Unidos.
O desempenho positivo foi sustentado principalmente pelo dado de produção industrial abaixo do esperado. A Pesquisa Industrial Mensal mostrou retração de 0,2% da produção em maio, na margem, resultado que ficou aquém da mediana das estimativas. Esse número fortaleceu a tese de que há espaço para ao menos um corte de 0,25 ponto porcentual da taxa Selic em agosto, reanimando o apetite por risco entre os investidores.
Segundo Bruna Centeno, sócia advisor da Blue3 Investimentos, a dinâmica do pregão foi influenciada pela ausência dos mercados americanos. "Toda vez que um dado de crescimento econômico ou de inflação vem abaixo do esperado, o mercado joga na aposta de pressão menor em cima dos juros. Não que vá haver algum corte na Selic ou que o BC vá abrir mão de uma postura mais contracionista, mas passa a negociar os juros futuros com um otimismo maior", avaliou a especialista. Os operadores de renda variável destacam que juros menores tendem a impulsionar os lucros das empresas, enquanto o valuation das ações segue atrativo.
Josias Bento, especialista em investimentos e sócio da GT Capital, atribuiu o principal vetor de alta do pregão ao desempenho dos bancos em um dia de baixa liquidez. Para ele, a leitura de um mercado de trabalho mais fraco nos Estados Unidos fortaleceu a percepção de que o Federal Reserve poderá manter uma postura menos restritiva, beneficiando ativos de risco. O especialista ressalva, porém, que o baixo volume negociado limita a força desse movimento.
Entre as blue chips, quase todas avançaram nesta sexta-feira. Ultrapar liderou os ganhos com alta de 3,50%, beneficiada por notícias de interesse da canadense Couche-Tard por uma participação na Ipiranga. Os bancos também apresentaram altas, com Bradesco ON subindo 0,19% e a Unit do BTG Pactual avançando 2,38%. Petrobras ganhou 0,69% (ON) e 0,76% (PN), enquanto Vale ON subiu 0,77%. CSN e Magazine Luiza também figuraram entre os destaques positivos, favorecidas pela queda dos juros futuros.
A exceção foi Banco do Brasil ON, que caiu 0,10% e fechou na mínima do dia, a R$ 19,98. Na ponta negativa, ISA Energia liderou as perdas após anunciar um aumento de capital, enquanto Engie Brasil e Marfrig também figuraram entre as maiores baixas do pregão.
No acumulado da semana, o Ibovespa subiu 0,45% e acumula ganho de 8,03% no ano. A moeda americana também recuou 0,76% nesta sexta-feira, fechando a R$ 5,16. As bolsas americanas permaneceram fechadas devido ao feriado nacional.
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