Ibovespa sobe 0,74% com trégua EUA-Irã; dólar fecha a R$ 5,11
O Ibovespa iniciou a semana em terreno positivo nesta segunda-feira (27), avançando 0,74% e alcançando 175.334,46 pontos. O movimento foi sustentado principalmente pela retomada do apetite por risco nos mercados globais, impulsionada por sinais de possível trégua nas tensões entre Estados Unidos e Irã. Este alívio geopolítico reduziu o prêmio de risco nos mercados internacionais e beneficiou ativos de maior risco, particularmente ações ligadas à economia doméstica brasileira e o setor financeiro.
O setor financeiro se destacou positivamente no desempenho do índice. O Índice Financeiro encerrou com ganho de 1,05%. O Itaú Unibanco, que detém 8% de participação do Ibovespa, avançou 1,40%, fechando a R$ 42,69. Santander Brasil também se valorizou 3,87%, antecipando a divulgação de seus resultados do segundo trimestre prevista para quarta-feira, abrindo a temporada de balanços dos grandes bancos.
As ações mais sensíveis aos juros futuros também registraram forte desempenho no pregão. Totvs avançou 6,95%, MRV subiu 4,71% e Hypera ganhou 4,10%, beneficiadas pelo fechamento da curva de juros futuros. Este movimento refletiu o otimismo dos investidores quanto ao cenário de juros no país. No Brasil, os investidores acompanharam o quarto recuo consecutivo na estimativa para a inflação de 2026 pelos economistas consultados pelo Banco Central no Relatório Focus, com a projeção caindo de 5,15% para 5,12%.
Apesar do desempenho geral positivo, o Ibovespa ficou para trás em relação a outros mercados devido à sua composição, que privilegia ações ligadas a commodities. A Petrobras foi o grande destaque negativo do dia. PETR3 caiu 3,15%, fechando a R$ 47,55, enquanto PETR4 registrou queda de 2,84%, a R$ 42,21. Este recuo acompanhou a forte queda do petróleo, com o contrato mais líquido do Brent para outubro caindo 6,33%, encerrando a US$ 85,87 o barril na Intercontinental Exchange em Londres.
A Vale apresentou desempenho misto. Detendo 11% de participação no índice, a mineradora avançou 0,60%, fechando a R$ 75,69, na contramão do minério de ferro. O contrato mais líquido da commodity para setembro teve baixa de 0,27%, cotado a 741 yuans, o equivalente a US$ 109,41 a tonelada em Dalian, na China. Fábio Lemos, sócio da Fatorial Investimentos, destacou ainda a alta da MBRF no índice, resultado da decisão dos Estados Unidos de retomar gradualmente as importações de gado do México, melhorando as perspectivas para a cadeia de proteína bovina.
No mercado de câmbio, o dólar comercial encerrou em alta de aproximadamente 0,61%, cotado a R$ 5,1122. Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o real teve desempenho inferior ao de outras moedas emergentes, mesmo em um dia de melhora do apetite por risco no exterior. O especialista observou que, embora o alívio geopolítico reduza o prêmio de risco globalmente, também tira um suporte importante que a commodity vinha dando ao real. Kayo acrescentou que a proximidade das eleições deixa o câmbio mais sensível às notícias e aos fluxos de curto prazo, enquanto a política tarifária dos Estados Unidos permanece como fonte de incerteza para o comércio global.
Nos mercados americanos, o desempenho foi misto. O Dow Jones avançou 0,51%, o S&P 500 teve avanço de 0,02%, enquanto o Nasdaq registrou queda de 0,18%. Os índices de Wall Street chegaram a ensaiar uma recuperação mais firme próximo ao fechamento, mas perderam força, com os investidores acompanhando a pausa nos ataques entre Estados Unidos e Irã e aguardando a decisão de juros do Federal Reserve prevista para quarta-feira.
Fábio Lemos observou ainda que o mercado volta as atenções para a decisão do Federal Reserve, os balanços das Magnificent Seven nos EUA e o IPCA-15 no Brasil. Bancos, Vale e Petrobras correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa. Em pesquisa eleitoral BTG Pactual/Nexus, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva aparece com 47% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro tem 44% em um eventual segundo turno, com Lula mantendo o mesmo porcentual e o senador recuando um ponto porcentual.
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