BCE eleva juros pela segunda vez no ano ante pressões inflacionárias da guerra no Irã
O Banco Central Europeu elevou as taxas de juros nesta quinta-feira pela segunda vez em 2024, buscando conter pressões inflacionárias desencadeadas pela escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. A decisão reflete preocupações crescentes com a inflação de energia na região e seus efeitos cascata sobre a economia do bloco.
Os ataques entre ambos os lados desde o final de agosto romperam um período de relativa calma, com operações militares, ataques a infraestrutura de transporte marítimo e alvos do setor energético. A intensificação das hostilidades fez com que os preços do petróleo voltassem a ultrapassar a marca de US$ 100 o barril, reacendendo temores de uma onda inflacionária na zona do euro, que depende significativamente de importações de combustíveis.
Em resposta, o BCE elevou sua taxa de depósito de 2,25% para 2,50%. O banco central afirmou em comunicado que o conflito no Oriente Médio continua gerando pressões inflacionárias e que a inflação deve permanecer bem acima de sua meta de 2% por um período prolongado.
O BCE revisou também suas projeções de crescimento e inflação para refletir uma resiliência maior do que esperado da economia, combinada com o impacto dos custos mais elevados de combustíveis sobre outros preços. A instituição, que representa 21 países que compartilham o euro, agora prevê inflação de 3,0% neste ano, 2,5% no próximo ano e 2,1% em 2028.
Especialistas alertam que as previsões divulgadas nesta quinta-feira podem não refletir integralmente os aumentos mais recentes nos preços de energia, particularmente gás natural, do qual muitos países europeus dependem para aquecimento. Segundo análise do Barclays, embora choques nos preços do gás se reflitam mais lentamente que choques no petróleo, geram efeitos maiores e mais persistentes sobre a inflação excluindo energia.
Os mercados financeiros estão precificando um aumento adicional dos juros ainda neste ano, seguido por mais uma ou duas altas em 2025. Economistas, contudo, tendem a considerar que a decisão desta quinta-feira pode ser a última do BCE por enquanto, embora um número crescente deles veja risco de que apertos monetários adicionais sejam necessários. O banco central não forneceu sinalizações sobre medidas futuras, mantendo sua abordagem padrão de basear decisões nos dados econômicos que surgirem.
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