Ibovespa fecha em queda pela 11ª sessão seguida com pressão fiscal e geopolítica
O Ibovespa fechou esta terça-feira em queda de 0,27%, aos 166.334,86 pontos, consolidando sua 11ª sessão consecutiva de perdas. Trata-se da maior sequência negativa registrada nos últimos três anos, com o índice operando no vermelho durante todo o mês de agosto até o momento, sem registrar uma única sessão de alta.
A volatilidade que marcou o pregão foi impulsionada por múltiplos fatores. No cenário internacional, as tensões geopolíticas entre Estados Unidos e Irã, bem como as dificuldades nas negociações para a abertura do Estreito de Ormuz, aumentaram a aversão ao risco entre investidores globais. Domesticamente, a cautela em relação ao cenário eleitoral e fiscal brasileiro pressionou significativamente o índice. A notícia de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), liberou a tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para encerrar a escala 6x1 na Comissão de Constituição e Justiça agravou as preocupações dos investidores.
Marcos Bassani, especialista de investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, avaliou que o Ibovespa segue em tendência de baixa sem perspectiva de alta no curto prazo. Segundo ele, a extensão e a intensificação do confronto entre Estados Unidos e Irã não facilita a alocação de recursos de investidores estrangeiros em países emergentes como o Brasil, enquanto as incertezas relacionadas ao cenário fiscal permanecem como fator de preocupação.
A Petrobras foi responsável por limitar as perdas do índice. As ações PETR4 avançaram 0,31%, chegando a R$ 42,60, enquanto PETR3 subiu 0,15%, aos R$ 47,53. O desempenho foi sustentado pela alta do petróleo Brent, que encerrou a sessão a US$ 91,02 por barril, com ganho de 0,17%. Além disso, a descoberta de petróleo no poço Morpho, na Margem Equatorial, repercutiu positivamente nos papéis da empresa. Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, destacou que a notícia sobre a descoberta na Margem Equatorial agradou ao mercado, e a alta do petróleo beneficia diretamente a Petrobras, mas o mercado permanece em dúvida.
A Vale, que detém 11% de participação no índice, teve ganho modesto de 0,06%, fechando a R$ 71,45, em linha com o avanço do minério de ferro na Bolsa de Dalian, na China. Bancos, Petrobras e Vale correspondem a aproximadamente 50% da carteira do Ibovespa.
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou em alta de 0,40% a 0,43%, cotado a R$ 5,2216. A valorização da moeda americana refletiu a maior aversão ao risco nos mercados internacionais, com elevação dos rendimentos dos títulos públicos de longo prazo nas principais economias. Os investidores também manifestavam preocupações com os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação global, um cenário que pode obrigar bancos centrais a manter juros elevados.
Entre as ações individuais, a C&C Brasil (CEAB3) liderou as perdas com queda de 5,87%, fechando a R$ 7,38. Na ponta positiva, a Hapvida (HAPV3) registrou alta de 3,04%, aos R$ 6,78. Segundo Bassani, o avanço dos papéis da Hapvida representou um movimento técnico de ajuste, uma vez que o papel tinha sofrido queda significativa nos dias anteriores.
Ambém no radar dos investidores estava o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia (BHIA3) e da subsidiária mexicana da Braskem (BRKM5), a Braskem Idesa, nos Estados Unidos, notícias que contribuíram para a cautela geral. O Índice Financeiro (IFNC) acompanhou o desempenho negativo do índice principal, recuando 0,27%.
Apesar da pressão, especialistas observam que o nível alcançado pelo índice após as quedas recentes começa a abrir espaço para movimentos técnicos de recuperação. Porém, o cenário atual ainda não oferece aos investidores segurança suficiente para posições mais direcionais, principalmente diante das incertezas políticas e fiscais no Brasil e dos riscos geopolíticos no exterior.
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