Ibovespa fecha em alta com deflação nos EUA; dólar recua a R$ 5,07
O Ibovespa encerrou o pregão em alta nesta terça-feira, impulsionado pelo alívio no cenário internacional após a divulgação de dados de inflação ao consumidor dos Estados Unidos abaixo das expectativas de mercado. O índice de referência da B3 subiu 0,51%, encerrando aos 176.641,10 pontos, após alcançar a máxima de 177.179,10 pontos no melhor momento do dia. A mínima ficou em 175.742,87 pontos, com volume financeiro de R$ 22,1 bilhões.
O índice de preços ao consumidor americano recuou 0,4% em junho ante maio e subiu 3,5% em 12 meses, segundo dados do Departamento do Trabalho. Essas leituras ficaram significativamente abaixo das previsões de economistas consultados pela Reuters, que apontavam queda de 0,1% e alta de 3,8%, respectivamente. Tratou-se da primeira deflação mensal registrada nos Estados Unidos desde 2020, reforçando as apostas de uma postura menos restritiva do Federal Reserve nos próximos meses.
Segundo Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, a bolsa paulista repercutiu o noticiário sobre a inflação nos EUA, que desencadeou uma reavaliação das probabilidades sobre os próximos passos do Federal Reserve. Os dados favoreceram o apetite por risco nos mercados financeiros. Após a divulgação do CPI, os mercados passaram a precificar uma probabilidade de 83,4% de que o Fed mantenha sua taxa básica de juros inalterada ao final de sua reunião de política monetária de julho, contra 58,3% na segunda-feira. Os mercados continuam esperando pelo menos um aumento de 25 pontos-base na taxa antes do final do ano, de acordo com a ferramenta FedWatch da CME.
Chuck Carlson, diretor executivo da Horizon Investment Services em Hammond, Indiana, avaliou que o relatório sobre inflação enfraqueceu o argumento de que o Fed vai aumentar as taxas. Segundo Carlson, isso dá uma margem de manobra ao Fed no curto prazo e abre a possibilidade de que a inflação caia sem necessidade de elevação nas taxas de juros.
O cenário externo favorável se estendeu aos principais índices americanos. O Índice Dow Jones Industrial Average teve variação positiva de 0,02%, fechando aos 52.508,66 pontos. O S&P 500 subiu 0,38%, para 7.543,89 pontos, enquanto o Nasdaq Composite avançou 0,90%, encerrando aos 26.107,01 pontos.
A melhora no cenário internacional também beneficiou a moeda brasileira. O dólar comercial fechou em queda de 1,12%, cotado a R$ 5,0739, acompanhando o enfraquecimento global da moeda americana. O fluxo estrangeiro continuou dando suporte aos ativos locais, com entrada superior a R$ 1 bilhão de investidores estrangeiros na bolsa. O movimento também foi favorecido pelo recuo dos juros futuros no Brasil e pelo maior apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes.
Entre os destaques positivos do pregão, Brava Energia avançou 3,83%, impulsionada por especulações envolvendo uma possível aquisição pela colombiana Ecopetrol. Vale também se beneficiou pela alta do minério de ferro após dados mais fortes da balança comercial chinesa. Equatorial, Hapvida e Bradespar também figuraram entre as maiores altas do dia.
Na ponta negativa, Ultrapar liderou as perdas, seguida por CSN Mineração, pressionada por notícias sobre interrupção temporária da produção. Magazine Luiza, CSN e Totvs também encerraram o pregão em queda.
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