Ibovespa fecha em alta com alívio do petróleo, mas petroleiras recuam
O Ibovespa reverteu as perdas matutinas e fechou em alta nesta terça-feira (25), alcançando 173.394,85 pontos com ganho de 0,84%. A recuperação foi liderada por ações correlacionadas a juros, como Assaí (ASAI3) e construtoras, que compensaram os recuos do setor petroleiro.
A queda dos preços do petróleo para abaixo dos US$ 90 por barril foi motivada por expectativas de avanços diplomáticos para encerrar o conflito entre Estados Unidos e Irã e reabrir o Estreito de Ormuz. Relatos circularam indicando que os EUA propuseram, por meio de uma autoridade do Paquistão, suspender o bloqueio e as sanções contra o Irã em troca da abertura do Estreito de Ormuz e do fim de ataques de aliados de Teerã. Vale ressaltar que a notícia veio um dia após Washington anunciar um novo pacote de sanções econômicas contra o país persa.
O recuo do petróleo trouxe alívio aos mercados domésticos, mas simultaneamente limitou o desempenho do índice. As ações da Petrobras recuaram significativamente, com PETR3 caindo 2,45% e PETR4 recuando 1,97%. A Vale, por sua vez, fez contraponto ao subir 1,25%, contribuindo com 0,94 ponto porcentual para o índice.
A recuperação nos preços do petróleo beneficiou mercados globais. As bolsas europeias fecharam majoritariamente em alta nesta terça-feira (25). O índice pan-europeu Stoxx 600 terminou o pregão com alta de 0,35%, aos 656,48 pontos. Entre os principais índices, o FTSE 100 em Londres fechou em alta de 0,29%, a 10.886,16 pontos; o DAX em Frankfurt ganhou 0,68%, a 26.285,06 pontos; e o CAC 40 em Paris caiu 0,16%, a 8.439,20 pontos. As ações de semicondutores tiveram destaque, com ASML Holding subindo 0,8%, Infineon Technologies registrando ganho de 1,1% e STMicroelectronics subindo 0,7%.
Segundo Eduardo Gonçalves, gestor de portfólio da Aurum Wealth Management, a queda nos preços do petróleo traz perspectiva de inflação menor, o que favorece os mercados de ações globais. Entretanto, a Bolsa no Brasil fica de fora deste movimento, dado o peso das ações de petrolíferas no índice. Gonçalves ressalta que o cenário ainda é muito sensível, pois apesar da melhora no exterior, há risco fiscal muito grande no país, e as eleições começam a fazer preço.
Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, considera que o quadro eleitoral será o elemento de maior influência tanto sobre os preços quanto sobre o fluxo de capital estrangeiro. Segundo o executivo, o cenário que se vê nas pesquisas é de manutenção do governo e das políticas públicas atuais, a maioria delas de transferência de renda e que pressionam a conta fiscal. Isso pode deixar a Selic alta por mais tempo, com inflação pressionada. Se ficar do jeito que está, o fluxo deve continuar negativo, principalmente para blue chips. Apesar dessa avaliação, Gass afirma que a GT Capital está compradora em Bolsa.
No contexto macroeconômico europeu, o índice Ifo de sentimento das empresas da Alemanha subiu para 88,8 pontos em agosto, superando as expectativas e atingindo o maior nível em um ano. Segundo o Commerzbank, a leitura mais forte reforça a avaliação de que a economia do país deve seguir em recuperação nos próximos meses, apesar de ventos contrários dos preços de energia. Houve também revisão para cima do Produto Interno Bruto (PIB) alemão no segundo trimestre.
A agenda de indicadores nesta terça-feira estava esvaziada. O governo havia anunciado a divulgação de dados sobre a arrecadação de julho, mas cancelou a publicação dos números.
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