Ibovespa cai 1,73% com Petrobras e acumula perda de 3,08% na semana
O Ibovespa encerrou a sexta-feira em queda de 1,73%, aos 172.513,42 pontos, acumulando uma perda semanal de 3,08%. O índice oscilou entre 172.131,20 e 176.116,84 pontos durante o pregão, com volume financeiro de R$ 21 bilhões. A sessão foi marcada pela repercussão de balanços corporativos, pela leitura mais cautelosa do mercado sobre as decisões do Comitê de Política Monetária (Copom) e pela reação aos dados de emprego dos Estados Unidos.
A Petrobras foi o principal agente de pressão sobre o índice. As ações PETR3 caíram 3,42%, fechando a R$ 45,69, enquanto PETR4 registrou queda de 2,99%, aos R$ 40,87, após operarem em alta superior a 2% no início do pregão. O movimento de realização foi impulsionado por dúvidas sobre a distribuição de dividendos extraordinários. Durante a apresentação de resultados, o CFO Fernando Melgarejo afirmou ser "muito pouco provável" o pagamento de proventos dessa natureza neste ano, reforçando que a prioridade da Petrobras segue sendo antecipar investimentos capazes de aumentar a produção e gerar retorno aos acionistas. A participação de PETR3 e PETR4 na carteira do Ibovespa é a maior entre os papéis listados.
Os resultados da Petrobras referentes ao segundo trimestre foram sólidos, com lucro líquido de R$ 52,4 bilhões, acima da expectativa do mercado que projetava R$ 50,8 bilhões. Apesar do desempenho financeiro positivo, as incertezas quanto aos proventos extraordinários prevaleceram.
Outros ativos de grande peso também enfrentaram dificuldades. As ações da Vale caíram 0,56%, fechando a R$ 74,97, apesar da valorização do minério de ferro na bolsa de Dalian, na China. A Vale representa 11% da carteira do Ibovespa. O setor bancário também foi atingido, com o Índice Financeiro recuando 2,42%.
Segundo Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, o mercado vem sofrendo com a "surpresa" do tom mais cauteloso do Banco Central quanto aos cortes futuros de juros. Além disso, o investidor estrangeiro, que representa mais de 60% do volume de negócios da bolsa brasileira, vem diminuindo o fluxo de compras em agosto. Há também sinais de rotação nos mercados internacionais, com investidores globais ajustando posições em mercados emergentes, como o Brasil, e voltando para as bolsas norte-americanas, principalmente no segmento de tecnologia.
No mercado de câmbio, o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,0836, com queda de 0,46% no dia. Na semana, a divisa acumulou leve valorização de 0,26% ante o real.
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