Ibovespa cai 0,41% e acumula primeira perda semanal desde agosto
O Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira com queda modesta de 0,41%, fechando em 185.229,17 pontos, acumulando a primeira perda semanal desde meados de agosto. A semana terminou negativa em 1,06%, revertendo uma sequência de quatro semanas positivas. Durante o pregão, o índice de referência do mercado acionário brasileiro atingiu máxima de 185.991,47 pontos e mínima de 184.460,91, com volume financeiro de R$ 38,37 bilhões.
O desempenho negativo reflete ajustes de apostas por parte dos investidores diante de um cenário complexo. O volume operacional foi influenciado ainda pelo vencimento de opções sobre ações na bolsa paulista. A dificuldade em precificar cenários econômicos futuros, principalmente quanto à condução da política fiscal, tem elevado o prêmio de risco dos ativos brasileiros, conforme avaliação de Bruno Corano, economista e CEO da Corano Capital.
Na cena doméstica, pesquisa Datafolha divulgada na noite de quinta-feira reforçou o quadro disputado na corrida presidencial. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apresenta 46% das intenções de voto em um eventual segundo turno para a eleição presidencial de outubro, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL) soma 44%. Os percentuais mantêm os candidatos em empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos percentuais, repetindo os números da semana anterior.
O cenário eleitoral segue como principal catalisador doméstico para os ativos brasileiros neste ano. Segundo avaliação de estrategistas, a eleição presidencial permanece bastante incerta, o que deve manter a volatilidade elevada no mercado. A dificuldade de precificar qual será a condução da política econômica, principalmente na questão fiscal, em uma corrida cada vez mais apertada, cresce entre os investidores.
Internacionalmente, o cenário também pressionou os mercados. O dólar comercial subiu 0,11%, atingindo R$ 5,144, após duas quedas seguidas. Nos Estados Unidos, os rendimentos do Tesouro subiram por toda a curva, resfriando o sentimento do mercado. Os principais índices oscilaram ao longo do pregão e terminaram mistos. Na Europa, as bolsas registraram quedas generalizadas, com investidores já observando recuo do otimismo que marcou o meio do ano.
O Banco Central do Japão elevou os juros para máxima de 31 anos, a 1,25% ao ano, com indicação de mudança na política monetária. De acordo com Olivia Flôres de Brás, CEO da Magno Investimentos, o movimento não fortaleceu o iene como seria esperado, pois o Federal Reserve também endureceu sua política, mantendo a atratividade relativa do dólar. Ela ressalta que câmbio responde menos ao número isolado e mais à diferença entre números em diferentes economias.
No Brasil, anúncio de reajuste do Bolsa Família pelo governo na quinta-feira buscou aquecer o apoio eleitoral. No entanto, o mercado concentrou atenção na chamada questão fiscal da manobra, que deve se elevar em um eventual governo Lula 4.
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