Ibovespa cai 17%, mas B3 não aciona segundo circuit breaker; entenda o motivo
O Ibovespa registrou volatilidade acentuada nesta segunda-feira, chegando a recuar 17,34% aos 169.516,43 pontos, mas a B3 não acionou pela segunda vez o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações em momentos de forte desvalorização. Ao fechar o pregão, o índice registrou queda de 13,88%, aos 176.608,23 pontos, com volume financeiro de R$ 76,9 bilhões.
A explicação para a não ativação do segundo circuit breaker está nas condições identificadas antes da abertura das negociações regulares. Durante o leilão de abertura, a formação dos preços já indicava que o Ibovespa poderia registrar perdas superiores a 20%, levando a B3 a antecipar a primeira interrupção diante da intensidade do movimento observado. Com essa decisão antecipada, a Bolsa comunicou que o próximo limite de interrupção passaria a ser de 20%, não mais 15%.
Segundo as regras usuais da B3, o circuit breaker funciona em três estágios. O primeiro ocorre quando o Ibovespa cai 10%, interrompendo as negociações por 30 minutos. Após a reabertura, uma desvalorização de 15% leva a uma segunda suspensão por uma hora. Se o índice alcançar queda de 20% após essas interrupções, a B3 pode determinar uma nova paralisação, cuja duração é comunicada ao mercado.
Nesta segunda-feira, contudo, a dinâmica foi diferente. Conforme procedimento divulgado pela Bolsa, quando o índice inicia as negociações com queda entre 15% e 20%, o próximo limite de interrupção passa a ser de 20%. A B3 confirmou à imprensa que uma nova paralisação dependeria de o Ibovespa alcançar esse percentual de desvalorização em relação ao fechamento anterior. Assim, embora a queda tenha superado 15% durante o pregão, o índice permaneceu abaixo do patamar indicado pela Bolsa para outra interrupção.
O movimento de desvalorização no mercado de renda variável se estendeu também aos fundos imobiliários. O fundo JSRE11, que concentra escritórios de alto padrão em São Paulo, liderava as perdas entre os FIIs nesta segunda-feira. Por volta das 13h20, as cotas recuavam 14,21%, cotadas a R$ 61,26, com volume de R$ 4,27 milhões, bem acima da média diária de R$ 2,7 milhões registrada em setembro. Com a queda, o fundo devolveu a valorização conquistada em outubro, quando as cotas alcançaram cerca de R$ 71, retornando praticamente ao preço de fechamento de setembro, de R$ 61,05.
A disparada dos juros futuros de longo prazo pressionou todo o segmento de FIIs. Por volta das 13h, o IFIX, índice que agrupa fundos imobiliários, caía 5,97%, aos 3.752 pontos. O JSRE11 é particularmente sensível a movimentos de alta nos juros reais, uma vez que o valor dos imóveis em sua carteira é calculado a partir da taxa usada para descontar os aluguéis de longo prazo. Quando os juros sobem, o preço estimado desses ativos tende a recuar.
Otros dois FIIs de lajes corporativas, PVBI11 e RCRB11, figuravam logo atrás no ranking de perdas do dia. A estrutura de carteira do JSRE11 adiciona um fator de amplificação às variações: cerca de 18,5% do patrimônio está alocado em cotas subordinadas do JS Renda Imobiliária, também gerido pela Safra Asset. Essas cotas recebem o resultado que sobra após a remuneração das cotas seniores, que respondem por 80% do veículo. O arranjo amplia ganhos quando os imóveis se valorizam e intensifica perdas quando os preços são revistos para baixo.
Segundo o relatório gerencial de setembro, o JSRE11 reúne cerca de 200 mil metros quadrados de área locável, em participações diretas e indiretas. Entre os ativos próprios, o Edifício Paulista representa 22,06% do patrimônio, o Tower Bridge Corporate 19,76%, as torres Marble e Ebony do complexo Rochaverá 19,36% e o WT Nações Unidas III 15,21%. Pela exposição via JSRI, o portfólio alcança também o WT Morumbi, o Work Bela Cintra e os edifícios WT Nações Unidas I e II. A carteira soma 115 inquilinos, com maior presença de empresas de tecnologia, saúde e seguros, com prazo médio de contratos de 3,3 anos.
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