Ibovespa sobe 6,9% entre turnos eleitorais; dólar cai 4,4% com entrada de capital
O Ibovespa vivenciou seu melhor dia em seis anos no pregão seguinte ao primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, registrando alta de 7,70% e fechando aos 206.911,89 pontos. Durante a sessão, o principal índice da bolsa brasileira bateu os 209 mil pontos, marcando seu maior patamar histórico.
No último pregão antes do primeiro turno, realizado na sexta-feira (2), o Ibovespa havia subido 2,63%, encerrando em 192.144,55 pontos. A última sessão antes do segundo turno das eleições foi marcada por alta mais modesta de 0,47%, com o índice chegando aos 205.082,56 pontos. Essa trajetória resultou em variação acumulada de 6,9% entre os dois períodos eleitorais, consolidando o movimento como um dos mais significativos dos últimos 24 anos. Segundo dados da Consultoria Elos Ayta, a alta só foi superior nas eleições de 2002, quando o Ibovespa subiu 8,15% entre os períodos, e em 2006, com avanço de 7,90%.
O motor principal da valorização foi o fechamento das taxas de juros de longo prazo, conforme evidenciado pelas ações que mais subiram no período. O Goldman Sachs avaliou que 85% da alta pode ser explicada pelo movimento de juros, enquanto a UBS Wealth Management vê possibilidade de alta adicional de cerca de 25% para o índice. Papéis como Magazine Luiza e MRV dispararam durante o período, assim como outras ações de setores correlacionados aos juros, incluindo construção, varejo e educação. A Magazine Luiza registrou avanço de 66,75%, enquanto a CSN saltou 12,41% na sexta-feira (23), cotada a R$ 6,07. O otimismo com a CSN refletiu notícias sobre o andamento das negociações de venda da CSN Cimentos, sem exclusividade, com as potenciais compradoras Huaxin e um consórcio formado pela Votorantim e Cementir, com expectativa de oferta próxima aos R$ 15 bilhões. Para o economista Gustavo Bertotti, head de renda variável da Fami Capital, a venda da unidade de cimentos é bem recebida pelos investidores dado o elevado endividamento da companhia. O sócio da Fatorial Investimentos, Fábio Lemos, destacou que o valor equivale a 36% da dívida líquida de R$ 42 bilhões da CSN, e que a aposta dos investidores é que a venda de ativos consiga reduzir o endividamento e recuperar o valor das ações.
O fluxo positivo de capital estrangeiro foi substancial durante outubro. Investidores externos trouxeram R$ 20,15 bilhões para a bolsa no mês, com entrada recorde de R$ 10 bilhões no dia 5 de outubro. Segundo dados da B3 até 21 de outubro, este já é o segundo mês de maior entrada de capital estrangeiro, perdendo apenas para janeiro, quando estrangeiros ingeriram R$ 26,4 bilhões.
O movimento cambial refletiu o otimismo dos investidores. Com o fluxo estrangeiro positivo, o dólar em relação ao real caiu 4,4% entre 2 e 23 de outubro, partindo de R$ 5,21 para R$ 4,98. No acumulado do ano, a divisa norte-americana já apresentava queda de 9,1%. Na última sessão antes das eleições, o dólar chegou aos R$ 5,21, com variação ligeiramente negativa de 0,13% após dados mais fracos do mercado de trabalho norte-americano na divulgação do payroll.
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