Ibovespa sobe 1,57% com otimismo eleitoral e fluxo estrangeiro
O Ibovespa encerrou a sessão de terça-feira com alta de 1,57%, fechando aos 208.295,98 pontos. Durante o pregão, o índice atingiu máxima de 208.941,57 pontos e mínima de 205.082,26 pontos, registrando o melhor nível desde o dia 9 de outubro, quando bateu recorde histórico. O volume financeiro negociado somou R$ 42,5 bilhões.
O desempenho positivo reflete o que analistas resumem como "trade eleitoral", expressão que caracteriza as movimentações de mercado ligadas às expectativas sobre o resultado do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o domingo. Willian Queiroz, sócio e advisor da Blue3 Investimentos, destacou que as pesquisas mostram um cenário acirrado na disputa entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), porém com o candidato do PL à frente.
As pesquisas divulgadas nesta terça-feira apresentaram dados com interpretações distintas. A Real Time Big Data mostrou Flávio Bolsonaro com 52% das intenções de voto contra 48% de Lula, considerando os votos válidos. Já Alfa Inteligência apontou Flávio com 48,8% das intenções de votos totais, na comparação com 45,9% do presidente, configurando empate técnico. Em votos válidos, Flávio registrou 51,5% contra 48,5% do petista.
Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, avalia que o mercado ganhou confiança com as pesquisas, apontando que Flávio está na frente de maneira sólida, o que despertou o apetite dos investidores para tomar risco. "O Ibovespa subiu forte e o dólar caiu bem", afirma, apontando também o fechamento da curva de juros doméstica como fator contributivo.
O fluxo de capital externo manteve-se positivo durante outubro. Apenas até o dia 16 do mês, a B3 registrou saldo de capital externo positivo de R$ 20,99 bilhões, impulsionado principalmente pelo resultado do primeiro turno da eleição. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, destaca que o grande direcionador das expectativas continua sendo a corrida presidencial, com agentes econômicos reagindo de forma bastante atenta às recentes pesquisas de intenção de voto e às perspectivas sobre o controle das contas públicas.
As ações cíclicas lideraram os ganhos do dia com o alívio na curva de juros futuros, alimentado pela perspectiva de uma mudança na Presidência e um eventual ajuste nas contas públicas. Com dólar e juros mais baixos, investidores deram preferência a bancos e empresas ligadas ao consumo, como varejistas. Magazine Luiza liderou a ponta positiva com alta de 14,79%, chegando a R$ 13,58. Vamos também foi destaque, avançando 8,32%, para R$ 6,64.
Entre as blue chips, Petrobras compensou a queda do petróleo no mercado internacional com entrada de fluxo estrangeiro: a ação PETR3 subiu 0,48%, para R$ 64,85, enquanto PETR4 avançou 0,36%, para R$ 58,21. Petrobras representa cerca de 13,5% do índice.
Na ponta negativa, apenas cinco ações fecharam em queda, incluindo Embraer, Vale e Suzano, porém sem detalhes específicos de desempenho divulgados. O dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,0183, com queda de 0,58%.
Segundo Gabriel Mollo, as próximas pesquisas deverão funcionar como catalisadores para câmbio, bolsa e curva de juros, enquanto a percepção sobre o compromisso fiscal do próximo governo será determinante para a direção dos ativos após a eleição.
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