Ibovespa cai 1,52% após Fed manter juros e tensões no Oriente Médio escalarem
O Ibovespa encerrou o pregão desta quarta-feira em forte queda, recuando 1,52% para fechar aos 173.885,34 pontos, na mínima do dia. O índice havia atingido máxima de 176.563,85 pontos durante o pregão, refletindo a volatilidade provocada por dois fatores principais: a decisão do Federal Reserve sobre juros e o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio.
O Federal Reserve manteve as taxas de juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano, decisão amplamente esperada pelo mercado. Porém, o comunicado da autoridade monetária americana revelou crescentes divergências internas. Três dos 12 membros do Comitê Federal de Mercado Aberto (Fomc) votaram a favor de um aumento adicional de 0,25 ponto percentual. Conforme apontado por especialistas, essa foi a primeira vez desde 2016 em que três membros do comitê divergem na mesma direção, marcando a dissidência mais significativa em quase uma década.
André Valério, economista sênior do Inter, ressaltou que embora a decisão tenha vindo em linha com o esperado, a quantidade de dissidência foi bastante elevada e evidencia preocupações crescentes dentro do comitê com a dinâmica inflacionária. Para Omair Sharif, fundador e presidente da empresa de previsões Inflation Insights, o mercado precifica quase certamente uma alta de juros em setembro, mas essa trajetória dependerá fortemente dos dados inflacionários até lá. Sharif avalia que o Fomc deve aumentar as taxas em 25 pontos-base em setembro, a menos que haja desabamento nos dados do mercado de trabalho ou que a inflação básica se aproxime significativamente de 2% em termos anualizados, o que não espera nos dados de julho ou agosto antes da reunião de setembro.
Valério também destacou que a incerteza provocada pelo conflito no Oriente Médio, combinada com o preço do petróleo rondando os 100 dólares, pode impedir uma redução suficiente da inflação, levando potencialmente mais membros do Fomc a votarem por uma alta na próxima reunião. Essa dinâmica criou ondas de aversão ao risco nos mercados globais, afetando principalmente os índices americanos.
No cenário doméstico, o Ibovespa sofreu pressão especialmente do setor bancário e de siderúrgicas. O Santander Brasil registrou uma das maiores perdas do índice após divulgar um resultado considerado fraco pelo mercado. Por outro lado, o setor de energia foi apoiado pela alta do petróleo. A Petrobras, assim como PRIO e Braskem, figuraram entre os destaques positivos do pregão, enquanto Vale acompanhou a queda do minério de ferro.
As bolsas americanas também ampliaram suas perdas após o comunicado do Fed. O Dow Jones caiu 2,19% para 51.594,14 pontos, o S&P 500 recuou 1,52% para 7.316,15 pontos, e o Nasdaq desvalorizou-se 1,74% para 24.442,94 pontos. O dólar comercial, por sua vez, fechou em queda de 0,27%, cotado a R$ 5,108, acompanhando o enfraquecimento da moeda americana após a coletiva do presidente do Fed.
Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados durante o pregão vieram acima das expectativas, reforçando a percepção de um mercado de trabalho ainda resiliente apesar dos juros elevados. Esse cenário aumenta as perspectivas de que o Fed mantenha pressão nas taxas de juros caso a inflação não ceda adequadamente.
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