Ibovespa cai 0,79% com tensão no Oriente Médio e Vale em queda; dólar recua
O Ibovespa encerrou a sessão desta quarta-feira em queda de 0,79%, aos 170.653,45 pontos, afastando-se do patamar dos 170 mil pontos em seu ponto mais baixo, quando chegou a 169.972,40 pontos. Na máxima do dia, o índice marcou 172.017,57 pontos. O volume financeiro movimentado somou R$ 21,75 bilhões.
O pregão abriu pressionado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre as negociações com o Irã. Trump afirmou que um acordo provisório para encerrar a guerra com o país "está acabado", após Teerã realizar novos ataques a bases norte-americanas no Golfo e os EUA realizarem uma ofensiva na noite anterior. Em declaração a repórteres em Ancara, durante participação em cúpula da Otan, Trump foi enfático: "Eles são escória. São pessoas doentes. São liderados por pessoas doentes. Para mim, é apenas perda de tempo lidar com eles."
Posteriormente, em fala menos incisiva, Trump afirmou não acreditar que um conflito em grande escala com o Irã viria a eclodir após os ataques militares de ambos os lados. As declarações marcaram o mais recente revés em negociações que oscilaram entre ameaças de escalada e esperanças de diplomacia, deixando investidores desorientados por várias tentativas frustradas de chegar a um acordo de paz.
Rob Haworth, estrategista sênior de investimentos do U.S. Bank Wealth Management, em Seattle, alertou para a incerteza do cenário: "A duração é o ponto-chave aqui. Por quanto tempo isso vai durar? Se observarmos danos à infraestrutura iraniana, o mercado talvez tenha que reagir de forma mais séria a isso, pois é provável que haja retaliação iraniana."
A aversão ao risco impactou de forma desproporcional os ativos cíclicos no mercado brasileiro. Vale, que detém 11% de participação do Ibovespa, sofreu forte queda de 4,59%, com redução de R$ 72,70, após o Morgan Stanley rebaixar a recomendação da ação para neutra, citando piora da perspectiva para o minério de ferro. O setor de construção civil também foi pressionado, com Cury encerrando o pregão como a maior queda do índice, com baixa de 7,85%, a R$ 31,33, além da pressão da curva de juros futuros e reação a sua prévia operacional.
O setor financeiro também encerrou em tom negativo. O Índice Financeiro (IFNC) recuou 0,80%, com Itaú, que detém cerca de 8% de participação no Ibovespa, caindo 1,27%, para R$ 41,89.
Ao contrário, a valorização do petróleo no mercado internacional sustentou ganhos nas petroleiras. O contrato mais líquido do Brent, referência internacional, encerrou as negociações com alta de 5,20%, a US$ 78,02, no maior patamar desde 22 de junho. PetroReconcavo liderou os ganhos com alta de 6,04%, a R$ 10,18.
No cenário doméstico, o mercado repercutiu notícias de que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Congresso Nacional articulam a retirada de mais R$ 2,5 bilhões do limite de gastos do arcabouço e da meta fiscal neste ano para recuperar investimentos na Defesa Nacional atingidos por bloqueio no Orçamento. A proposta foi aprovada em maio no Senado e se encontra na Câmara dos Deputados, após votação de urgência aprovada por unanimidade.
O dólar à vista encerrou as negociações com leve queda de 0,07% a 0,09%, conforme a fonte, fechando a R$ 5,1484 ou R$ 5,148.
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