BC mantém Selic em 13,75% e cita aumento significativo de incertezas
O Banco Central do Brasil manteve a taxa básica de juros Selic em 13,75% ao ano nesta quarta-feira (4), interrompendo uma sequência de cinco reduções consecutivas que se estendeu de março a setembro deste ano. A decisão foi unânime pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
A pausa nos cortes reflete a mudança nas expectativas do mercado após o resultado da eleição presidencial de outubro. Nas primeiras semanas do mês, havia apostas generalizadas em redução dos juros. Contudo, com a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, os investidores expressaram dúvidas sobre os planos fiscais do governo, provocando alta dos juros futuros e alteração das projeções de política monetária.
No comunicado que acompanha a decisão, o Copom destacou um cenário desafiador marcado por "aumento significativo das incertezas em torno do cenário base". Segundo o comitê, o ambiente atual é caracterizado pela taxa Selic em nível substancialmente contracionista, expectativas de inflação mais elevadas e desaceleração da atividade econômica doméstica mais acentuada. "O contexto atual apresenta um cenário desafiador para a política monetária, demandando serenidade e cautela na sua condução", afirmou o Copom em nota.
O Banco Central destacou que o ambiente externo sofreu deterioração devido ao prolongamento dos conflitos no Oriente Médio, que elevaram o preço do petróleo para o patamar de US$ 100 por barril, além de aumentarem a volatilidade nos mercados internacionais. A autoridade monetária também citou as condições financeiras mais restritivas nas economias avançadas como fator que exige prudência na condução da política monetária, especialmente para países emergentes, que são mais sensíveis a oscilações cambiais e fluxos de capital.
Quanto aos riscos inflacionários, o Copom avaliou que eles permanecem mais elevados que o normal e com assimetria altista, ou seja, com maior peso para fatores capazes de pressionar a inflação para cima. Entre os riscos identificados estão a desancoragem das expectativas, possíveis efeitos dos preços do petróleo, inflação de serviços mais resistente, câmbio depreciado e estímulos ao consumo. Para o segundo trimestre de 2028, atual horizonte relevante da política monetária, o Copom aumentou a projeção de inflação para 3,5%, ante 3,2% anteriormente. No curto prazo, as projeções também subiram: para 2026 chegam a 5,2% e para 2027 a 4,8%.
No cenário doméstico, o Copom reconheceu a desaceleração da atividade econômica, especialmente nos setores mais sensíveis aos juros. Apesar disso, o comitê avaliou que a economia permanece resiliente e o mercado de trabalho segue aquecido. O banco central reforçou que continuará acompanhando os impactos da política fiscal sobre a política monetária e os ativos financeiros, mantendo postura de cautela diante do aumento de incertezas. A autoridade monetária segue comprometida em manter a restrição adequada com o objetivo de assegurar a convergência da inflação à meta.
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