Taxas de juros futuros caem após dados fracos da indústria em sessão sem Treasuries
As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) fecharam a sexta-feira em queda, num movimento de correção ante as fortes altas da sessão anterior. O resultado refletiu tanto a divulgação de dados fracos da indústria brasileira quanto a reduzida liquidez no mercado, causada pelo feriado antecipado do Dia da Independência nos Estados Unidos, que manteve os Treasuries fechados.
A taxa do DI para janeiro de 2028 encerrou o pregão em 14,105%, com queda de 13 pontos-base em relação ao ajuste de 14,239% da sessão anterior. Na ponta longa da curva a termo, o DI para janeiro de 2035 fechou em 14,41%, registrando queda de 8 pontos-base ante o ajuste de 14,485% de quinta-feira.
No acumulado da semana, o DI para janeiro de 2028 cedeu 5 pontos-base, enquanto o DI para janeiro de 2035 apresentou alta de 8 pontos-base, resultando num movimento de leve inclinação da curva de juros.
Os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a produção industrial brasileira caiu 0,2% em maio na comparação com abril e avançou apenas 0,2% na base anual. Os resultados ficaram abaixo das projeções dos economistas consultados pela Reuters, que esperavam alta de 0,3% no mês e de 1,3% na comparação anual. Esses números fracos reforçaram entre os investidores a percepção de que o Banco Central poderá reduzir a taxa Selic novamente em agosto, em 25 pontos-base. Atualmente, a taxa básica está em 14,25%.
Segundo Santiago Schmitt, especialista em renda fixa da Manchester Investimentos, a queda das taxas nesta sexta-feira decorre principalmente do movimento de abertura da curva brasileira bastante forte observado na véspera, em todos os vértices. Conforme explicou Schmitt, embora o relatório de payroll americano fraco tenha aliviado a pressão no exterior quanto a um possível aumento de juros pelo Federal Reserve, no Brasil os prêmios dos DIs se mantiveram em alta na quinta-feira.
Na véspera, os dados do mercado de trabalho dos EUA conduziram as quedas dos rendimentos dos Treasuries. No Brasil, porém, as taxas dos DIs subiram em meio a um leilão robusto de títulos do Tesouro e ao noticiário político. Nesta sexta-feira, a curva se ajustou em baixa, revertendo parte dos ganhos recentes.
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