Petrobras e PRIO caem até 7% com queda do petróleo após acordo EUA-Irã
As ações das principais petroleiras brasileiras fecharam em queda expressiva nesta segunda-feira, lideradas pela pressão dos preços internacionais do petróleo após o anúncio de um acordo entre Estados Unidos e Irã. Petrobras (PETR3) cedeu 5,30%, fechando a R$ 43,74, enquanto PETR4 recuou 5,15% para R$ 39,06. PRIO (PRIO3) foi a de maior queda entre as grandes petroleiras, desvalorizando 6,91% a R$ 57,10. PetroRecôncavo (RECV3) fechou em baixa de 6,50% a R$ 10,22, e Brava Energia (BRAV3) recuou 4% a R$ 20,18.
O movimento nas ações reflete a queda acentuada dos preços do petróleo nos mercados internacionais. O WTI para julho, negociado na New York Mercantile Exchange (Nymex), fechou em queda de 4,86%, perdendo US$ 4,13 e encerrando a US$ 80,75 o barril. O Brent para agosto, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), recuou 4,76%, perdendo US$ 4,16 e fechando a US$ 83,17 o barril.
O gatilho para a queda foi o anúncio de um acordo de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã divulgado no domingo. O presidente americano Donald Trump afirmou que o acordo foi concluído, enquanto o premiê do Paquistão, Shehbaz Sharif, confirmou que a cerimônia oficial de assinatura ocorrerá na sexta-feira na Suíça. O regime iraniano não se pronunciou oficialmente de imediato, mas confirmou que o general Mohammad Bagher Ghalibaf, principal negociador iraniano, e o chanceler Abbas Araghchi viajarão para Genebra para assinar o acordo.
O acordo prevê um cessar-fogo de 60 dias seguido de novas negociações. Entre os termos principais está a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde transita quase 20% do petróleo mundial. Trump anunciou que autorizou a suspensão imediata do bloqueio naval dos EUA aos portos iranianos e afirmou que o Estreito será reabertura sem pedágios a partir de sexta-feira. A perspectiva de normalização do fluxo de petróleo pela região reduziu o prêmio de risco geopolítico incorporado nos preços da commodity.
No contexto mais amplo do mercado brasileiro, o Ibovespa operou em alta de mais de 1% durante a manhã impulsionado pelo otimismo global com o acordo, mas reverteu para baixa no período vespertino, fechando em queda de 0,42% aos 170.415 pontos, acompanhando o movimento de queda do petróleo.
A queda dos preços internacionais do petróleo gera um impasse para a política monetária brasileira. De acordo com Gabriel Mollo, analista de investimentos da Daycoval Corretora, o alívio externo chega em um momento delicado, pois o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de maio desacelerou, mas ficou ligeiramente acima das expectativas, reforçando a percepção de que os núcleos de inflação continuam pressionados enquanto a atividade econômica permanece resiliente. Carlos Lopes, economista do BV, avalia que o fim dos conflitos entre EUA e Irã deve dar confiança para o Banco Central diminuir a Selic, mas que será necessário, após o corte desta semana, uma pausa para avaliar os efeitos defasados do choque sobre uma economia que ainda está aquecida e superestimulada pelo gasto público.
Conteúdo reescrito pelo Pense Mercado com base nas fontes acima. Não constitui recomendação de investimento.