Junho marca segunda saída consecutiva de estrangeiros, mas saldo anual supera 2025
A B3 registrou saída líquida de capital externo na Bolsa pelo segundo mês consecutivo em junho. Os estrangeiros retiraram R$ 7,785 bilhões do mercado de ações, movimento que reduziu significativamente o saldo positivo acumulado no ano para R$ 33,847 bilhões. O valor atual representa aproximadamente a metade do recorde de R$ 69,070 bilhões registrado em 14 de abril. Apesar dessa retração, o saldo acumulado até junho ainda mantém uma vantagem considerável, sendo 26% superior ao do mesmo período do ano anterior.
Os fluxos negativos de capital estrangeiro resultam de uma combinação de fatores externos e internos. No cenário internacional, as negociações em torno do fim da guerra do Irã reacenderam o interesse pelos mercados asiáticos, direcionando investimentos para ativos relacionados a tecnologia e inteligência artificial, setores muito mais robustos em países como Coreia do Sul e Taiwan. Esse movimento representa uma rotação significativa nas preferências dos investidores globais.
Segundo João Scandiuzzi, estrategista-chefe do BTG Pactual, a queda pela metade do saldo máximo deve-se principalmente à rotação dos fluxos de investimento que saíram de ações de valor em direção a ações de crescimento. O executivo ressalta que as ações brasileiras são predominantemente de valor, representando empresas consolidadas, pagadoras de dividendos, geradoras de lucro e financeiramente sólidas. Contudo, essas companhias não possuem o mesmo apelo de setores como tecnologia em termos de potencial de crescimento e perspectivas de expansão de mercado.
No Brasil, o cenário doméstico também contribui para a desaceleração dos investimentos estrangeiros. O Ibovespa recuou 1,1% em junho, pressionado pela queda de 20% do preço do petróleo durante o mês. Essa queda da commodity ocorreu após o cessar-fogo firmado entre Estados Unidos e Irã, que resultou no aumento da oferta global de petróleo com a liberação das exportações iranianas. O movimento representou a maior perda trimestral dos preços do petróleo desde 2020. Dado o peso significativo das empresas de commodities na composição do índice, essa queda impactou diretamente o desempenho da Bolsa.
No horizonte das preocupações locais, os juros voltaram ao centro das atenções dos investidores. Diferentemente do otimismo que marcou os primeiros meses do ano, quando havia expectativas de cortes significativos na taxa Selic, a última ata do Comitê de Política Monetária trouxe uma postura mais hawkish e sinalizou a possibilidade de não haver cortes na taxa de juros. Conforme aponta Rodrigo Geraldes, head de Equities na Bradesco Asset Management, no início do ano havia um cenário mais claro caracterizado por um dólar mais fraco no mundo. Esse contexto era impulsionado principalmente pela expectativa de queda de juros no mercado americano e por preocupações constitucionais. Naquela conjuntura, o Brasil apresentava-se como uma das melhores alternativas entre mercados emergentes, sendo o que mais sinalizava cortes de juros para 2026.
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