JPMorgan rebaixa Banco do Brasil e eleva Bradesco após rali das ações financeiras
O JPMorgan revisou suas recomendações, estimativas e preços-alvo para o setor financeiro brasileiro após a forte disparada das ações no rali pós-eleitoral. A mudança mais significativa foi o rebaixamento do Banco do Brasil (BBAS3) de neutro para underweight, equivalente a uma recomendação de venda, enquanto o Bradesco (BBDC4) foi elevado de neutro para overweight, sinalizando oportunidade de compra com exposição acima da média do mercado.
As recomendações reverberam imediatamente nos preços das ações. BBAS3 registrou queda de 6,19% a R$ 24,67 às 14h12 desta terça-feira, liderando as perdas do Ibovespa. BBDC4, por sua vez, apresentava ganhos expressivos de 3,98% a R$ 22,71 no mesmo horário. Segundo informações da Suno, por volta das 13h25, BBAS3 recuava 6,42% a R$ 24,64, consolidando sua posição entre os papéis com maior queda do dia.
A mudança nas recomendações está fundamentada em uma revisão relevante do custo de capital. O JPMorgan reduziu em aproximadamente 1,5 ponto percentual sua premissa de custo de capital próprio para a maior parte das empresas sob sua cobertura, acompanhando o movimento de queda da curva de juros brasileira de dez anos, que recuou de aproximadamente 14,4% para 13%. A instituição avalia que essa mudança no custo de capital explica entre 15% e 20% dos aumentos de preços-alvo realizados no relatório.
Para o Bradesco, o JPMorgan elevou o preço-alvo de R$ 22 para R$ 26, uma valorização de 19% frente ao último fechamento. Os analistas consideram que o plano de recuperação do Bradesco vem mostrando evolução, com rentabilidade melhorando nos últimos trimestres, redução do custo de risco e melhora das margens. O banco negociava a 1,2 vez o valor patrimonial no momento da análise, enquanto o JPMorgan considera justa uma avaliação de 1,5 vez. Embora reconheça tendências de curto prazo menos atraentes, a casa destaca que BBDC4 apresenta uma posição relativa melhor. Os analistas também observam que as receitas de seguros do Bradesco tendem a não se beneficiar de juros menores, porém avaliam que as discussões envolvendo o capital tangível do banco tornam-se menos relevantes neste cenário.
No caso do Banco do Brasil, o JPMorgan identifica desafios estruturais que justificam o rebaixamento. A instituição projeta que 2027 ainda deve ser um período desafiador, com recuperação esperada apenas para 2028. A relevante exposição do banco ao agronegócio deve limitar os benefícios de uma eventual queda da Selic em comparação com outras instituições privadas. O JPMorgan também aponta a qualidade dos ativos como ponto de atenção, esperando que a deterioração recente da carteira de crédito ligada ao agronegócio continue pressionando lucros, rentabilidade e distribuição de dividendos. As projeções de ROE para BBAS3 são de 8,7% em 2026, com avanço para 11,8% em 2027 e 13% em 2028.
A revisão do JPMorgan para empresas ligadas ao mercado de capitais também reflete um cenário de maior otimismo. A instituição elevou entre 8% e 12% as estimativas de lucro para XP (BDR: XPBR31) e B3 (B3SA3) em 2027, enquanto para BTG Pactual (BPAC11) o aumento ficou entre 4% e 5%. Essas elevações foram impulsionadas pelo volume excepcional de negociação no mercado à vista, que atingiu R$ 103 bilhões de ADTV (volume médio diário negociado), aproximadamente três a quatro vezes os níveis anteriores às eleições, além de uma perspectiva mais favorável para os juros.
A mudança nas recomendações ocorre em contexto de forte movimento do mercado. Na segunda-feira, as instituições financeiras dispararam, impulsionando o Ibovespa a um avanço de 7,70%, aos 206.911,89 pontos, uma alta de 14.797,34 pontos em relação à abertura. Foi a primeira vez que o índice superou a marca de 200 mil pontos, chegando a atingir 209.600 pontos. Parte do movimento de queda das ações do Banco do Brasil também reflete uma correção após esses ganhos históricos do pregão anterior.
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