Ações sensíveis a juros disparam mais de 20% após primeiro turno eleitoral
A Bolsa brasileira registrou uma sessão de euforia nesta segunda-feira (5), com fortes ganhos em ações sensíveis a juros após os resultados do primeiro turno das eleições presidenciais de 2026, realizadas no domingo anterior. Os papéis de Magazine Luiza, Localiza, Vamos e Cosan lideraram os ganhos, superando a marca de 20% de alta.
Magazine Luiza (MGLU3) fechou a R$ 9,44, com valorização de 24,18%. Localiza (RENT3) avançou 20,68%, chegando a R$ 50,06, enquanto Vamos (VAMO3) subiu 21,31% para R$ 5,75. Cosan (CSAN3) também integrou o grupo de melhores desempenhos, com alta de 23,79%, fechando a R$ 5,09. Além desses papéis, empresas como Assaí, Lojas Renner, Smart Fit, MRV, Cyrela, Hapvida e Azzas registraram valorizações acima de 10%.
O movimento foi impulsionado por forte redução nas taxas dos depósitos interfinanceiros (DIs). A taxa do DI para janeiro de 2028 encerrou em 12,71%, queda de 75 pontos-base ante os 13,509% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, o DI para janeiro de 2035 caiu para 13,16%, uma redução de 97 pontos-base em relação aos 14,131% do fechamento prévio. A redução foi mais intensa no trecho longo da curva, segmento mais sensível a questões de política fiscal.
O otimismo dos investidores foi desencadeado pelo resultado do primeiro turno, que mostrou o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na frente da disputa presidencial. Flávio obteve 47,03% dos votos válidos, superando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que recebeu 45,16%. A vantagem de cerca de 2,2 milhões de votos para o senador contrariou a maior parte das pesquisas divulgadas na reta final da campanha. O segundo turno está marcado para 25 de outubro.
Flávio é percebido pelo mercado financeiro como um nome mais propenso a priorizar o ajuste das contas públicas, ainda que seus planos para a área não estejam claros. Este fator contribuiu para a maior intensidade da queda de prêmios no trecho longo da curva de juros, onde os investidores precificam expectativas sobre política fiscal. Por outro lado, Lula enfrenta desconfiança de uma parcela relevante do mercado. A percepção entre profissionais é de que uma virada no segundo turno é pouco provável.
O principal indicador de percepção de risco do mercado brasileiro também refletiu o alívio de tensões. O VIX Brasil, índice que mede a volatilidade implícita esperada para os próximos 30 dias calculado a partir das opções sobre o Ibovespa, despencou 27,74% nesta segunda-feira (5), fechando a 23,69 pontos. Na mínima do dia, o indicador atingiu 21,86 pontos. Antes das eleições, na sexta-feira (2), o VIX Brasil havia encerrado em 32,77 pontos, seu nível máximo desde a criação em 19 de março de 2024. O recorde anterior havia sido ultrapassado um dia antes, quando fechou em 32,39 pontos, na quinta-feira (1º). Níveis acima de 30 pontos costumam estar associados a períodos de maior turbulência e incerteza, conforme a própria B3. A queda de 27,74% representa uma redução significativa da aversão ao risco no mercado, sinalizando maior apetite dos investidores.
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