Irã rejeita bomba atômica mas mantém direito de enriquecer urânio
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reafirmou neste domingo (21) que o país persa não pretende desenvolver uma bomba atômica e que não há problema em deixar essa condição registrada no acordo de paz com os Estados Unidos. No entanto, Teerã não abrirá mão de seu direito ao enriquecimento de urânio para fins pacíficos, posicionamento que o governo iraniano considera não negociável nas conversas com Washington.
Em pronunciamento em Teerã, Pezeshkian explicou a posição iraniana nas negociações. Segundo ele, a exigência americana é clara: o Irã não deve construir uma bomba atômica. O presidente ressaltou que o Líder Supremo já anunciou oficialmente que o Irã não pretende construir uma bomba, e que essa mensagem já foi comunicada diversas vezes pelas autoridades iranianas. Pezeshkian afirmou estar disposto a deixar essa condição por escrito em um acordo definitivo.
"O que os Estados Unidos exigem é que o Irã não construa uma bomba atômica. O Líder Supremo já anunciou que o Irã não pretende construir uma bomba, e nós também já falamos isso diversas vezes. Mas não abriremos mão do nosso direito ao enriquecimento de urânio, e a outra parte será obrigada a aceitar esse direito", declarou o presidente.
As declarações ocorrem em contexto de preparativos para uma nova rodada de negociações entre Estados Unidos e Irã na Suíça, também neste domingo. Membros das delegações dos dois países já chegaram ao país europeu. Pelo lado americano, o vice-presidente JD Vance lidera as conversas, enquanto Abbas Araghchi, ministro das Relações Exteriores do Irã, chefia a delegação iraniana.
O diálogo entre as potências ocorre em momento de tensão no Oriente Médio. Desde quinta-feira (18), a intensificação dos combates entre Israel e o grupo Hezbollah no sul do Líbano gerou questionamentos sobre a sustentabilidade do cessar-fogo na região. O Irã condiciona o encerramento do conflito ao fim dos ataques ao território libanês, o que adiciona complexidade às negociações em andamento.
Em paralelo, a Guarda Revolucionária do Irã declarou no sábado (20) o Estreito de Ormuz como fechado, alegando quebra do acordo por parte dos Estados Unidos e continuidade dos ataques de Israel ao Líbano como justificativas para a medida.
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