Guia do investidor para navegar o raro 'Super El Niño' de 2027
À medida que as preocupações com a guerra no Irã diminuem, os investidores de ações enfrentam outra ameaça: o risco climático, que está impulsionando uma reavaliação de apostas em setores que vão desde a agricultura até o seguro.
Uma alta probabilidade de um "Super El Niño" em direção a 2027 pode elevar temperaturas em algumas partes do mundo, provocando picos na demanda de energia, prejudicando a produtividade das colheitas e reavivando pressões inflacionárias. Isso pode complicar as perspectivas para os bancos centrais, representando um risco para os mercados acionários globais que já operam próximo a recordes históricos.
"El Niño chega em um momento especialmente sensível", afirmou Ole Hansen, chefe de estratégia de commodities do Saxo Bank. "A economia global ainda está se ajustando às consequências inflacionárias do conflito no Irã, enquanto as cadeias de suprimentos permanecem vulneráveis após meses de interrupção."
El Niño é um padrão climático que ocorre com aquecimento sustentado das temperaturas da superfície do Oceano Pacífico. Isso pode levar a padrões de alta e baixa pressão que se traduzem em chuvas excessivas em algumas partes do mundo e secas em outras. Existe uma probabilidade de 63% de que possa evoluir para um evento muito forte — informalmente conhecido como "Super El Niño" — em direção a 2027, de acordo com o Centro de Previsão Climática dos EUA.
O impacto já está sendo sentido em várias regiões, desde um atraso no início da monção indiana até uma interrupção temporária da temporada de pesca do Peru. A última vez que o mundo enfrentou um El Niño tão forte, em 2015 e 2016, o resultado foi mais de 7,8 trilhões de dólares em produtividade perdida, segundo um estudo da Universidade de Dartmouth.
AGRICULTURA E AQUICULTURA
Os produtores de culturas provavelmente suportarão o maior impacto de um El Niño mais forte, embora o impacto varie entre regiões e commodities. Na Indonésia, maior produtor mundial de óleo de palma, o tempo mais quente e seco normalmente reduz os rendimentos, prejudicando as perspectivas de ganhos das plantações e adicionando pressão às ações locais já pesadas por preocupações com o status de classificação de mercado da Indonésia e a medida de centralizar envios de commodities-chave.
A produção global de milho e trigo também pode ser negativamente afetada pelo fenômeno climático, segundo o grupo UBS, assim como a produção de açúcar na Ásia. A Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar, proibiu exportações até o final de setembro, prejudicando ações de produtoras como Shree Renuka Sugars Ltd. e Bajaj Hindusthan.
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