Ibovespa fecha em queda de 1,23%; Petrobras sustenta mercado antes do payroll
O Ibovespa encerrou o pregão desta quinta-feira em forte queda, recuando 1,23% aos 175.546,36 pontos. Na máxima do dia, o índice alcançou 177.720,00 pontos, enquanto na mínima atingiu 175.514,86 pontos. A queda foi impulsionada pela leitura mais cautelosa do comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), pela abertura dos juros globais e pela escalada das tensões no Oriente Médio.
O Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, dando continuidade ao ciclo de cortes iniciado. Porém, o mercado interpretou o comunicado como mais firme em relação à inflação. O Banco Central manteve a sinalização sobre a necessidade de uma política monetária restritiva e não assumiu compromisso com uma nova redução na próxima reunião de setembro. Segundo Nicolas Gass, chefe de alocação de investimentos e sócio da GT Capital, a queda do Ibovespa reflete justamente a redução das expectativas para novas flexibilizações. "O mercado achou o tom ligeiramente hawkish, tirou o corte futuro dos juros. E isso acaba derrubando principalmente os ativos que mais se beneficiam de uma trajetória de juros que de fato iria continuar acontecendo", afirma o especialista. O comunicado foi mais curto e objetivo do que o texto divulgado em junho, reduzindo ambiguidades mas preservando a sinalização de cautela.
Apesar da queda generalizada, a Petrobras (PETR3 e PETR4) limitou as perdas, sustentada pela alta do petróleo. A empresa reportou resultados acima das expectativas do mercado neste trimestre. O lucro líquido alcançou R$ 52,4 bilhões, superando a expectativa de R$ 50,8 bilhões. A receita líquida foi de R$ 169,5 bilhões entre abril e junho, enquanto o Ebitda ajustado atingiu R$ 93,8 bilhões. Desconsiderando efeitos extraordinários, o Ebitda ajustado alcançou R$ 100,6 bilhões e o lucro líquido recorrente somou R$ 55,8 bilhões. O desempenho foi impulsionado pela produção recorde de petróleo e derivados, pelos preços mais elevados do Brent e pela forte geração de caixa. A companhia também anunciou a distribuição de proventos bilionários.
No câmbio, o dólar comercial fechou em queda de 0,41%, cotado a R$ 5,107, beneficiado pela manutenção de um diferencial de juros elevado no Brasil e pela valorização do petróleo, que favorece os termos de troca do país. À abertura do pregão matinal, o dólar à vista havia aberto ainda mais baixo, a R$ 5,0985 (-0,17%), enquanto o DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis divisas fortes, recuava 0,06% aos 99.872 pontos.
No exterior, os índices americanos também recuaram. O Dow Jones caiu 0,85% aos 53.885,10 pontos, o S&P 500 baixou 0,18% aos 7.709,96 pontos e o Nasdaq recuou 0,06% aos 26.348,35 pontos. Os índices recuaram com a alta do petróleo e dos rendimentos dos Treasuries, em uma sessão marcada pela cautela antes dos dados do mercado de trabalho dos Estados Unidos.
O mercado aguarda nesta sexta-feira a divulgação do payroll dos EUA, relatório do mercado de trabalho norte-americano considerado importante vetor da política monetária. O dado será divulgado às 9h30 no horário de Brasília. A mediana das 25 estimativas reunidas pelo Projeções Broadcast aponta para a criação de 80 mil vagas, com previsões que variam entre 63 mil e 130 mil postos de trabalho. Se confirmada, a leitura representaria aceleração frente à abertura de 57 mil vagas em junho. Apesar dos dados recentes mais fracos do mercado de trabalho, a expectativa é de certo ganho de fôlego no payroll de julho.
Conteúdo reescrito pelo Pense Mercado com base nas fontes acima. Não constitui recomendação de investimento.