Ibovespa fecha em alta de 2,97% após IPCA benigno; dólar recua para R$ 5,10
O Ibovespa encerrou a sessão desta sexta-feira com ganho de 2,97%, aos 177.866,37 pontos, na máxima intradia do pregão. O desempenho representou o terceiro maior avanço do índice em um único dia, ficando atrás apenas das altas de 3,33% registrada em 21 de janeiro e 3,24% em 23 de março. O patamar alcançado não era visto desde 21 de maio, durante o pregão. A mínima do dia marcou 172.760,66 pontos, enquanto o volume financeiro negociado somou R$ 25,17 bilhões.
Na composição do índice, praticamente todas as ações fecharam no azul. Dos 78 papéis que compõem o Ibovespa, nenhum encerrou em queda, e apenas dois ficaram estáveis. No acumulado da semana, o índice ganhou 2,18%, representando a terceira semana consecutiva com sinal positivo. Em julho, até o momento, o Ibovespa acumula alta de 3,40%.
O desempenho positivo foi impulsionado principalmente pela divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de junho. O índice subiu 0,16% na comparação mensal, após aumento de 0,58% em maio. Trata-se da leitura mensal mais baixa desde outubro, quando o IPCA havia avançado 0,09%. A expectativa de pesquisa da Reuters apontava alta de 0,31% na comparação mensal, o que torna o resultado uma surpresa positiva para o mercado.
Conforme avaliação de David Beker, chefe de economia no Brasil e estrategista para América Latina no Bank of America, o resultado de junho trouxe um índice com composição mais favorável do que o esperado. Segundo Beker, apesar de alguns itens específicos terem exercido forte pressão sobre o resultado, a desinflação ficou evidente em indicadores mais amplos e relevantes, como o índice de difusão e as medidas de núcleo. O resultado reforçou expectativas de continuidade do ciclo de cortes na taxa básica de juros iniciado em março pelo Comitê de Política Monetária (Copom).
Com base no IPCA de junho e no cenário externo mais favorável, citando o barril de petróleo abaixo de US$ 80 e dados de emprego dos EUA mais fracos na semana anterior, Beker passou a precificar um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na próxima reunião do Copom, de 4 e 5 de agosto, revertendo previsão anterior de manutenção dos juros. Atualmente, a Selic está em 14,25% ao ano. Para a reunião seguinte, nos dias 14 e 15 de setembro, Beker afirmou que o cenário-base continua sendo de manutenção dos juros, mas há risco de novo corte de 0,25 ponto, dependendo da evolução dos preços do petróleo.
No cenário corporativo, a ponta positiva foi liderada por CSN Mineração, que avançou 8,28%. CSN também se destacou com ganho de 7,92%, em meio a notícias sobre avanço das negociações para venda da CSN Cimentos. O setor financeiro foi o principal impulsionador do Ibovespa, com o Índice Financeiro (IFNC) terminando em alta de 4,12%. Itaú, que detém cerca de 8% da participação da carteira do índice, teve avanço de 4,02%. Vale, com 11% de participação, encerrou o dia com ganho de 1,41%.
Com desempenho contrário, a Prio encerrou o pregão em queda de 0,29%, pressionada pela prorrogação do imposto de exportação sobre petróleo bruto. O governo estendeu a medida por mais 60 dias com alíquota de 12% sobre a exportação de petróleo bruto e 50% sobre o óleo diesel. Como exporta 100% de sua produção, a Prio é considerada a companhia mais pressionada pela medida.
O dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1084, com queda de 0,28% na sessão. Na semana, a moeda norte-americana acumulou recuo de 1,17% ante o real. As bolsas de Nova York fecharam em alta nesta sexta-feira em meio ao bom desempenho dos setores de tecnologia e comunicação. O Dow Jones registrou alta de 0,29%, aos 52.637,09 pontos, cedendo 0,5% na semana.
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