Ibovespa cai pela 11ª sessão seguida com PEC 6x1 em discussão; dólar avança
O Ibovespa encadeou sua 11ª sessão de queda nesta terça-feira (18), marcando a maior sequência de perdas em três anos. O principal índice da bolsa brasileira fechou em declínio de 0,27%, aos 166.334,86 pontos, apesar de a Petrobras ter limitado as perdas com ganhos. Na mínima da sessão, o índice chegou aos 166.211,30 pontos.
A sequência negativa se estende por todo o mês de agosto até o momento, sem que o Ibovespa tenha registrado uma única sessão de alta. O cenário é marcado pela cautela dos investidores com o ambiente eleitoral e fiscal, pela persistência da saída de capital estrangeiro e pela deterioração do ambiente externo. Segundo Felipe Tavares, economista-chefe da BGC Liquidez, "o mercado está em dúvida com a bolsa".
O dólar à vista encerrou as negociações cotado a R$ 5,2216, em alta de 0,40%, refletindo a maior aversão ao risco nos mercados internacionais. A valorização da moeda americana ocorreu em uma sessão marcada pela elevação dos rendimentos dos títulos públicos de longo prazo nas principais economias e pelas preocupações com os efeitos da alta do petróleo sobre a inflação global.
A pressão sobre o Ibovespa intensificou-se após a notícia de que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), teria liberado a tramitação da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) para encerrar a escala 6x1 na Comissão de Constituição e Justiça. O índice passou a operar no terreno negativo após esse anúncio. Os investidores também monitoraram pedidos de recuperação judicial, incluindo o da Casas Bahia e da subsidiária mexicana da Braskem, a Braskem Idesa.
A Petrobras (PETR3 e PETR4) foi destaque positivo, ajudando a conter as perdas do índice. PETR3 subiu 0,15%, fechando a R$ 47,53, enquanto PETR4 avançou 0,31%, alcançando R$ 42,60. O avanço dos papéis refletiu tanto a alta do petróleo quanto a descoberta de petróleo no poço Morpho, na Margem Equatorial. O petróleo Brent para outubro encerrou em alta de 0,17%, a US$ 91,02 por barril, mantendo no radar as dificuldades nas negociações envolvendo Estados Unidos e Irã para a abertura do Estreito de Ormuz.
A Vale, que detém 11% de participação do índice, teve ganho de 0,06%, fechando a R$ 71,45, em linha com o avanço do minério de ferro na Bolsa de Dalian, na China. Bancos, Petrobras e Vale correspondem a 50% da carteira do Ibovespa.
No Índice Financeiro (IFNC), a queda foi de 0,27%, ainda com o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia no radar dos investidores. Na ponta negativa, a C&A Brasil (CEAB3) liderou as quedas com recuo de 5,87%, fechando a R$ 7,38. Na ponta positiva, a Hapvida (HAPV3) avançou 3,04%, alcançando R$ 6,78, em um movimento técnico de ajuste após queda significativa na semana anterior.
Marcos Bassani, especialista de investimentos e sócio da Boa Brasil Capital, avaliou que o Ibovespa segue em tendência de baixa, sem perspectiva de alta no curto prazo. "A extensão e a intensificação do confronto entre Estados Unidos e Irã não ajuda o investidor estrangeiro a alocar recursos em países emergentes como o Brasil. Além disso, as incertezas em relação ao cenário fiscal permanecem", afirmou.
Apesar da pressão, o nível alcançado pelo índice após as quedas recentes começa a abrir espaço para movimentos técnicos de recuperação. O cenário, porém, ainda não oferece aos investidores segurança suficiente para posições mais direcionais, principalmente diante das incertezas políticas e fiscais no Brasil e dos riscos geopolíticos no exterior.
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