Ibovespa cai 0,93% em sessão de pressão comercial; dólar recua a R$ 5,13
O Ibovespa encerrou a primeira sessão da semana com queda de 0,93%, aos 172.447,58 pontos, interrompendo a sequência de altas que havia levado o índice ao maior valor em um mês na sexta-feira anterior. O giro financeiro da sessão foi de R$ 16,94 bilhões. Ao longo do dia, o índice oscilou entre a máxima de abertura de 174.057,47 pontos e a mínima de 171.621,70 pontos, acumulando uma perda de aproximadamente 2.400 pontos.
O desempenho negativo da bolsa brasileira contrastou com o cenário internacional, onde as bolsas americanas registraram ganhos. O índice Dow Jones subiu 0,29%, enquanto o Nasdaq avançou 1,12%, evidenciando o descolamento do Ibovespa em relação a Wall Street. Segundo Nícolas Mérola, analista da EQI Research, o mercado de ações brasileiro passa por um momento de "compasso de espera", em que investidores estrangeiros estão priorizando a precificação de inteligência artificial antes de retomar o interesse por outros mercados.
O apetite reduzido dos investidores estrangeiros é particularmente relevante para a performance do índice, uma vez que essas instituições são responsáveis por mais da metade do volume financeiro da Bolsa. Embora quinta-feira tenha registrado entrada de R$ 567,6 milhões em recursos externos, o acumulado de julho ainda apresenta retirada de R$ 22,223 milhões. A pressão sobre a moeda doméstica também aliviou durante a sessão: o dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1320, com queda de 0,71%.
Além dos fatores externos, o cenário doméstico contribuiu para a volatilidade. Nesta segunda-feira teve início a audiência pública do Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que avalia práticas comerciais do Brasil sob a Seção 301 da Lei de Comércio, com objetivo de determinar se supostas práticas desleais justificam nova sobretaxação de 25% em produtos brasileiros. Entre as práticas mencionadas por Washington estão a implementação do Pix, desmatamento, mercado de etanol e questões de propriedade intelectual. Segundo Gustavo Pedroso, sócio da Cordier Investimentos, a audiência representa "a chance final" do setor privado brasileiro tentar reverter ou suavizar a tarifa. "É algo para acompanhar de perto nos próximos dias, porque qualquer sinal de acordo ou de escalada tende a mexer diretamente no dólar e na bolsa daqui até o próximo dia 15, quando está prevista a decisão do governo americano", avaliou.
O analista Nícolas Mérola também destacou que o processo eleitoral brasileiro, que se aproxima, causa maior temor e volatilidade entre investidores locais e internacionais. Daniel Nogueira, head de Alocação da InvestSmart XP, concorda que ao adentrar o segundo semestre, a pauta eleitoral ganha relevância crescente, observando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem ganhado margem em relação ao senador Flávio Bolsonaro. "Apesar de Lula não ser o candidato favorito do mercado, não é um candidato novo. O fator surpresa não existe tanto, mas é uma quebra de expectativa em relação a ter uma âncora fiscal e comprometimento com reformas firme", avaliou.
No plano setorial, a eliminação da Seleção brasileira na Copa do Mundo no domingo também impactou o desempenho das ações. A Ambev, quarta ação mais negociada na sessão, recuou 2,52%, refletindo a avaliação do mercado de que haverá menor consumo de bebidas com o Brasil fora da competição. A TOTVS, por sua vez, recuou 4,97% em movimento de realização de lucros após quatro altas consecutivas que acumularam valorização superior a 5%. Entre as principais ações do índice, a Petrobras apresentou quedas: PETR3 terminou o dia com baixa de 1,27%, fechando a R$ 41,85, enquanto PETR4 registrou recuo de 1,25%, a R$ 37,77, acompanhando a cotação do petróleo.
No cenário macroeconômico, o Banco Central divulgou nesta segunda-feira a atualização das estimativas do Boletim Focus. Pela primeira vez em 16 semanas, a projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou, passando de 5,33% para 5,30% em 2026. Para 2027, porém, a estimativa avançou de 4,17% para 4,18%. Quanto à taxa básica de juros Selic, as projeções apresentaram estabilidade: para 2026 manteve-se em 14%, enquanto para 2027, 2028 e 2029 permaneceram em 12%, 10,25% e 10%, respectivamente.
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