Ibovespa cai 0,25% pressionado por aversão ao risco; dólar sobe com tensões no Oriente Médio
O Ibovespa encerrou o pregão desta terça-feira em leve queda, impactado pelo aumento da aversão ao risco nos mercados globais em meio à escalada das tensões no Oriente Médio. O principal índice da B3 fechou com baixa de 0,25%, aos 172.020,68 pontos, após oscilar entre a mínima de 171.417,06 e a máxima de 173.543,67 pontos. O volume financeiro negociado no dia somou R$ 20,1 bilhões.
A moeda americana também refletiu o cenário de incerteza. O dólar à vista encerrou as negociações a R$ 5,1528, com alta de 0,41% no período.
Entre as principais ações do índice, a Vale apresentou performance negativa, recuando 2,04 para R$ 76,20. A mineradora, que detém 11% de participação do Ibov, seguiu a queda do minério de ferro. O contrato mais líquido da commodity, negociado para setembro em Dalian, na China, encerrou as operações com queda de 0,47%, cotado a 735,5 yuans, equivalente a US$ 108,21 a tonelada. A Vale também foi pressionada pela renúncia de Daniel Stieler da presidência e do Conselho de Administração da empresa. Segundo Arthur Bonifácio, analista da Eleven Financial, a renúncia pode gerar uma reação inicial do mercado, especialmente entre investidores locais, considerando que a maioria do conselho havia recomendado rejeitar a proposta da Previ.
O setor bancário também registrou queda nesta terça-feira. O Índice Financeiro encerrou o pregão com baixa de 0,55%. O Itaú, que detém cerca de 8% de participação na carteira do Ibov, teve perda de 0,31%, fechando a R$ 42,43.
A Petrobras funcionou como elemento atenuador das perdas do índice. A estatal, que representa aproximadamente 12% de participação na carteira do Ibov, seguiu a alta do petróleo no mercado internacional. A valorização da commodity foi impulsionada pela proibição do Tesouro dos Estados Unidos sobre a venda de petróleo pelo Irã.
No cenário doméstico, os investidores acompanharam com atenção as audiências públicas realizadas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que segue discutindo políticas e práticas do Brasil sob a Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA de 1974. A expectativa é que o senador e pré-candidato à presidência Flávio Bolsonaro fale contra a implementação imediata da tarifa de 25% aos produtos brasileiros. Em junho, o governo Trump propôs tarifas sobre o Brasil alegando violações comerciais, como desmatamento ilegal e o que chama de práticas desleais em pagamentos eletrônicos, pouco depois de Flávio ter se reunido com altos funcionários norte-americanos em Washington.
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