Ibovespa bate recorde nos 209 mil pontos e pode chegar aos 235 mil em 2027
O Ibovespa encerrou a semana com seu melhor desempenho de 2026, avançando 8,82% e atingindo novo recorde histórico de 209.066,90 pontos na sexta-feira. O ganho reflete a reação do mercado ao cenário político brasileiro, especialmente após a divulgação do Datafolha na quinta-feira, que mostrou Flávio Bolsonaro numericamente à frente de Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições, com uma vantagem de 2,2 milhões de votos.
Na sessão de encerramento da semana, o índice avançou 1,38%, oscilando entre 206.237,55 e 209.713,45 pontos e renovando também a máxima intradiária. O giro financeiro atingiu R$ 56,50 bilhões. Desde o início de outubro, o Ibovespa acumula ganhos de 12,20%, enquanto a valorização acumulada no ano alcança 29,75%. O dólar comercial também refletiu o otimismo, fechando em queda de 0,79%, a R$ 4,985, mantendo-se abaixo da marca de R$ 5.
Apesar da recente valorização, a Eleven Financial vê espaço para novas altas. Segundo a análise da casa independente, o valuation do Ibovespa está sendo negociado a menos de 10 vezes o preço sobre lucro (P/L), ante uma média histórica próxima de 11 vezes. Fernando Siqueira, head de research da Eleven, aponta que o principal índice da bolsa brasileira segue com múltiplos baixos, a alocação na indústria de fundos local de multimercados e de ações é baixa, e as taxas de juros continuam em patamares elevados. "Os fundamentos estão melhorando e indicadores técnicos seguem indicando espaço para novas altas", acrescenta.
Com essa visão positiva, a Eleven projeta o Ibovespa aos 235 mil pontos em meados de 2027, o que representaria uma valorização de 14% sobre os níveis atuais. No cenário otimista, a estimativa chega a 253 mil pontos, um potencial de valorização de 23%. Siqueira avalia que a bolsa brasileira pode ser favorecida pelo fluxo tanto de investidores estrangeiros quanto locais. A melhora do cenário macroeconômico local já favorece a entrada de capital estrangeiro, enquanto a queda dos juros pode estimular o retorno dos investidores brasileiros à renda variável.
Além disso, fundos de ações e multimercados enfrentam resgates há pelo menos quatro anos. Uma mudança nesse movimento poderia ampliar a demanda doméstica por ações e contribuir para a continuidade da valorização do mercado. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, destaca que o desempenho positivo reflete a reação do mercado doméstico ao monitoramento do cenário político.
O desempenho setorial foi heterogêneo. Magazine Luiza disparou 19,22%, acumulando valorização superior a 55% em outubro, enquanto MRV impressionou com alta de 21,62% e Lojas Renner saltou 11,56%. Entre as gigantes, Itaú avançou 2,27%, Banco do Brasil ganhou 1,57%, Petrobras subiu 0,94% e Vale encerrou com alta de 0,38%. Por outro lado, Vivo despencou 5,25%, TIM perdeu 4,18%, Santander recuou 0,86% e Embraer caiu 0,55%.
Apesar do otimismo, a recente valorização acendeu um sinal de atenção. Muitos ativos estão com os preços esticados, o que aumenta a possibilidade de realização de lucros. A inflação de setembro também trouxe tensão ao cenário: o IPCA acumulado de 12 meses chegou a 4,58%, acima do teto da meta, apesar disso, os investidores deram mais peso às expectativas eleitorais e à queda dos juros futuros. Além disso, a alta do Ibovespa durante o atual ciclo eleitoral superou a observada em eleições recentes, reforçando o risco de ajustes no curto prazo.
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