Ibovespa bate recorde acima de 209 mil com melhor semana desde março de 2020
O Ibovespa encerrou a primeira semana completa de outubro em novo recorde, fechando aos 209.066,90 pontos. Durante o pregão da sexta-feira, o índice também renovou máxima histórica intraday, atingindo 209.713,45 pontos. No dia, avançou 1,38%, com giro financeiro de R$ 39 bilhões. No acumulado da semana, a valorização chegou a 8,82%, representando o melhor desempenho semanal desde março de 2020. No mês, a alta já alcança 12,2%, enquanto no ano inteiro o ganho é de 29,7%.
O movimento foi amplamente impulsionado pela expectativa de alternância de poder, consolidada pelos resultados do primeiro turno. Pesquisas eleitorais divulgadas confirmaram o favoritismo de Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial. O Instituto Datafolha, divulgado ontem, mostrou Flávio com 49% das intenções de voto, contra 45% do presidente Lula, em cenário de empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos porcentuais. A pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, divulgada nesta manhã, também evidenciou a liderança do senador com 51,1%, contra 45,7% de Lula. O 'trade eleitoral' continuou a ditar o ritmo dos ativos locais, com investidores precificando expectativas de mudança política.
O desempenho positivo da bolsa brasileira acompanhou sentimento favorável em relação aos mercados emergentes no exterior. O EEM, maior ETF de ações ligado a esses mercados, subiu 1,06% no dia. As bolsas de Nova York também fecharam em alta tanto no pregão quanto na semana. O petróleo teve valorização na sessão regular, com contratos do Brent mantendo-se acima de US$ 100 o barril, cenário que atrai a atenção dos investidores quanto aos efeitos sobre a inflação global. Este desempenho da commodity deu suporte aos papéis da Petrobras, que representa cerca de 13,5% do índice. As ações PETR3 subiram 1,82 para R$ 63,06 e PETR4 avançou 0,94% para R$ 56.
O setor financeiro também contribuiu para os ganhos. O Índice Financeiro fechou com alta de 2,22%, puxado por Bradesco PN após elevação do preço-alvo pelo UBS BB. A Vale, com 8% de participação no índice, subiu 0,38% para R$ 67,90 e interrompeu sequência de cinco quedas consecutivas. Em conjunto, Vale, Petrobras e bancos correspondem a 50% da carteira teórica do Ibovespa. Na ponta positiva, MRV disparou 21,62% para R$ 7,82 após prévia operacional.
O desempenho da bolsa ocorreu em contexto onde dados de inflação ficaram em segundo plano. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo avançou 0,82% em setembro, acima da expectativa do mercado e após recuo de 0,32% no mês anterior. No acumulado de 12 meses, a inflação subiu 4,58%, acima do teto da meta perseguida pelo Banco Central, que é 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual.
A moeda também reagiu ao cenário político. O dólar à vista encerrou as negociações a R$ 4,9851, com queda de 0,78% no dia. No acumulado dos últimos cinco dias, recuou 4,44% ante o real. Fernando Siqueira, head de research da Eleven Financial, atribui a performance da semana à reação às eleições e ao retorno de investidores que vinham pouco expostos à bolsa. Segundo o analista, o mercado estava muito pouco alocado em ações no Brasil, tanto entre investidores locais quanto estrangeiros.
Para Siqueira, a continuidade do movimento depende da confirmação das expectativas incorporadas aos preços. Conforme seu posicionamento, é difícil avaliar se a alta é sustentável, pois dependerá se o cenário eleitoral se confirma e, principalmente, se as reformas imaginadas para o ano seguinte serão de fato realizadas. A valorização do real abre perspectiva de atração de mais capital não apenas para o câmbio, mas também para a bolsa.
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