Curva de DIs fecha sem direção única com IPCA acima do esperado e otimismo com acordo EUA-Irã
A curva de juros futuros encerrou o pregão desta sexta-feira sem direção única. Enquanto o curto prazo avançou em reação a novos dados de inflação, os vértices de médio e longo prazos caíram com otimismo em relação a um possível acordo entre Estados Unidos e Irã.
A taxa de Depósito Interfinanceiro para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, subiu 5 pontos-base e fechou a 14,360%, ante 14,310% do fechamento anterior. Já a taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, encerrou as negociações a 14,455%, recuo de 5 pontos-base comparado aos 14,505% do fechamento anterior. A DI para janeiro de 2036, de longo prazo, caiu 14 pontos-base e terminou o dia a 14,195%, ante 14,335% do fechamento da quinta-feira anterior.
O mercado de títulos do Tesouro norte-americano fechou em alta, com enfraquecimento do dólar frente às moedas globais. O yield do Treasury de dois anos, mais sensível à política monetária, terminou a 4,087%, ante 4,070% do ajuste anterior. O retorno do título de dez anos, referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito, caiu para 4,483%, de 4,465% do dia anterior.
O principal fator que movimentou os DIs foi a divulgação do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo. O IPCA subiu 0,58% em maio, representando uma desaceleração frente ao avanço de 0,67% no mês anterior. No entanto, no acumulado de 12 meses, a inflação chegou a 4,72%, acima da meta perseguida pelo Banco Central de 3%, considerando a margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos.
Leonardo Costa, economista do ASA, identificou que a principal surpresa em relação às projeções da instituição veio dos preços administrados. "Em relação à nossa projeção, a surpresa para cima veio em combustíveis e energia elétrica", afirmou. O Goldman Sachs também apontou que "o IPCA de maio veio acima do consenso, mas a composição da inflação foi um pouco mais benigna do que o número cheio sugere, já que a surpresa altista ficou concentrada nos preços administrados, especialmente pela queda menor do que a esperada da gasolina e pelo aumento maior do que o previsto das tarifas de energia elétrica".
Os vencimentos de médio e longo prazos acompanharam o alívio nas tensões geopolíticas. O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que um memorando de entendimento de Islamabad para encerrar as hostilidades no Oriente Médio nunca esteve tão próximo. Em publicação na rede social X, declarou: "Enquanto aguarda sua finalização, a mídia deve abster-se de entrar em especulações sobre seu conteúdo". O presidente dos Estados Unidos, posteriormente, repostou a publicação de Araghchi.
Os preços do petróleo também refletiram o otimismo com possíveis negociações de paz. O contrato mais líquido do petróleo Brent para agosto fechou com recuo de 3,37%, a US$ 87,33 por barril. Na New York Mercantile Exchange, o contrato do petróleo West Texas Intermediate para julho caiu 3,23%, a US$ 84,88 por barril. Na semana, o WTI e o Brent acumularam perdas de 6,25% e 6,19%, respectivamente. Analistas do ING alertaram que, a menos que o petróleo volte a ser transportado livremente no Estreito de Ormuz muito em breve, os mercados de energia podem se aproximar de um ponto de inflexão em julho.
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