Copel cai 2,8% após elevar meta de alavancagem; JPMorgan vê cautela em dividendos
As ações da Copel (CPLE3) fecharam com forte desvalorização nesta quinta-feira, recuando 2,8% e sendo cotadas a R$ 14,60, após a companhia elétrica anunciar mudanças significativas em sua política de estrutura de capital. A decisão elevou a meta de alavancagem financeira de 2,8 vezes para 2,9 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda, gerando reação negativa entre investidores.
O conselho de administração da Copel aprovou uma atualização completa dos parâmetros que orientam a estrutura ótima de capital e a política de dividendos da companhia. Além de elevar o parâmetro de referência para alavancagem, a companhia também ampliou a faixa de tolerância aceita. Anteriormente, o intervalo funcionava entre 2,5 vezes e 3,1 vezes o Ebitda. Agora, passa a operar em uma banda entre 2,6 vezes e 3,2 vezes, oferecendo maior flexibilidade para a gestão do endividamento.
Outro aspecto importante da reformulação diz respeito ao prazo de convergência para o centro da meta de alavancagem. O tempo máximo para que a Copel retorne ao parâmetro de referência, caso se afaste dele, foi ampliado de até 24 meses para até 48 meses. Na prática, essa extensão proporciona à companhia mais tempo e maior espaço para endividamento sem descumprir seus próprios parâmetros internos.
Apesar das alterações na estrutura de capital, a política de remuneração aos acionistas foi mantida sem mudanças. A companhia segue comprometida a distribuir o mínimo de 75% do lucro líquido anual em dividendos e juros sobre capital próprio, com pelo menos duas distribuições de proventos por ano. A Copel destacou que a revisão busca equilibrar cinco frentes centrais para o crescimento sustentável: a preservação da solidez financeira, o retorno consistente aos acionistas, a capacidade de investimento, o aproveitamento de oportunidades estratégicas e a melhoria contínua da qualidade dos serviços aos clientes.
O JPMorgan avaliou que a revisão oferece maior flexibilidade ao balanço da companhia, porém adota uma visão mais conservadora em relação à remuneração aos acionistas. Segundo o banco, alguns fatores devem limitar uma distribuição mais robusta de dividendos nos próximos anos. Entre eles está o adiamento de cerca de R$ 1 bilhão em reajustes tarifários da distribuidora, o início de investimentos em expansões hidrelétricas a partir de 2026 e o ambiente de juros mais elevados no Brasil.
Diante desse cenário, o JPMorgan acredita que a Copel deverá manter sua alavancagem abaixo de 3 vezes dívida líquida/Ebitda nos próximos dois a três anos, período em que sustentaria um dividend yield médio de aproximadamente 5% entre 2026 e 2028. Apesar da cautela quanto aos dividendos de curto prazo, o banco mantém recomendação overweight (equivalente à compra) para as ações, com preço-alvo de R$ 18, o que implica em potencial de valorização de 19,8% frente ao preço de fechamento de R$ 15,02.
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