Zelle: o sistema de pagamentos americano citado por Bolsonaro em debate sobre Pix
A comparação entre o Pix e o Zelle ganhou relevância no debate público após o ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) mencionar o sistema americano como exemplo de ferramenta semelhante à criada pelo Banco Central brasileiro. Em vídeo publicado nas redes sociais, Eduardo afirmou que os Estados Unidos possuem mecanismos muito semelhantes ao Pix e citou especificamente o Zelle, sugerindo que o sistema de pagamento brasileiro pudesse ser objeto de negociação entre Brasília e Washington.
A discussão adquiriu maior relevância após o governo dos Estados Unidos incluir o Pix entre os pontos questionados em uma investigação comercial que pode resultar em tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. O Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) anunciou uma nova investigação contra vários parceiros comerciais, incluindo União Europeia, Japão e Brasil.
Embora desempenhem funções parecidas para o usuário final, o Pix e o Zelle foram construídos sobre modelos bastante diferentes. Essas diferenças estão entre os argumentos apresentados pelo USTR ao questionar o sistema brasileiro.
A principal distinção reside na governança de ambos os sistemas. O Pix foi desenvolvido e é operado pelo Banco Central, enquanto todas as instituições financeiras participantes seguem regras padronizadas definidas pela autoridade monetária, incluindo critérios de funcionamento, interoperabilidade e gratuidade para pessoas físicas.
O Zelle segue um caminho oposto. Lançado em 2017, o sistema é administrado por uma rede de bancos privados americanos e não possui uma autoridade pública central responsável pela sua operação. Nos Estados Unidos, cada instituição participante pode definir condições de uso e políticas próprias para seus clientes.
Um dos pontos específicos citados pelo USTR envolve a forma como o Pix é oferecido ao público. No Brasil, o Banco Central determinou que transferências via Pix sejam gratuitas para pessoas físicas. Além disso, instituições participantes precisam disponibilizar o serviço em destaque aos clientes. O governo americano argumenta que essa estrutura favoreceria um sistema operado pelo Estado.
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