STF critica declarações de Milei contra Moraes após convenção do PL
O presidente do Supremo Tribunal Federal, Edson Fachin, criticou neste sábado as declarações do presidente da Argentina, Javier Milei, direcionadas ao ministro do STF Alexandre de Moraes. Segundo Fachin, as declarações foram "desrespeitosas" e "incompatíveis com a civilidade".
Milei, que foi convidado de honra na convenção do PL que oficializou a candidatura à presidência da República de Flávio Bolsonaro (PL-RJ), fez as declarações durante seu discurso no evento. O presidente argentino chamou Moraes de "lixo careca" em referência ao impedimento de visitação ao ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado no caso da trama golpista.
Em nota divulgada neste sábado, Fachin afirmou: "Tomei conhecimento da declaração do Presidente da Argentina sobre Ministro do Supremo Tribunal Federal. Trata-se de referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil. Ao reafirmar a plena autonomia do Judiciário brasileiro, a Presidência do STF deplora manifestações incompatíveis com a civilidade que deve caracterizar as relações entre os Estados".
Durante seu discurso ao lado de Flávio Bolsonaro, Milei criticou a negação da autorização para visitação a Bolsonaro e fez comparação com o ex-presidente Lula. O argentino declarou: "O 'lixo careca' não me permitiu visitar meu amigo injustamente preso, embora eu saiba que Lula recebia constantemente líderes estrangeiros enquanto estava na cadeia, inclusive aquele ex-presidente argentino desastroso, Alberto Fernández". Segundo a fonte, Lula estava preso na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, quando recebeu visitas de autoridades argentinas.
Além da reação do STF, as manifestações de Milei também provocaram resposta do Partido dos Trabalhadores. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, emitiu nota criticando o comportamento do chefe de Estado argentino, afirmando que ele "não está à altura do cargo que ocupa" e teve comportamento "inadmissível" no evento.
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