Selic reduzida a 14%: impactos em ações, fundos e renda fixa
O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central reduziu a taxa básica de juros, a Selic, de 14,25% para 14% ao ano. Trata-se do quarto corte consecutivo de 0,25 ponto percentual realizado no ano. Embora a redução seja modesta, a decisão impacta diretamente os investidores que atuam em diferentes segmentos do mercado financeiro.
A decisão foi amplamente esperada pelo mercado, que já havia incorporado essa trajetória de cortes aos seus preços. Com essa "prévia" de reação vinda do exterior, especificamente do índice EWZ que replica o desempenho do MSCI Brasil, o Ibovespa deve ter uma reação mais amena à decisão. O EWZ subia 0,30%, a US$ 36,22, por volta das 19h do horário de Brasília, enquanto no pregão regular havia encerrado com leve ganho de 0,06%, a US$ 36,11. No pregão anterior, nesta quarta-feira, o principal índice da bolsa brasileira terminou as negociações com queda de 0,09%, aos 177.726,17 pontos. Segundo Luis Otávio Leal, economista-chefe da G5 Partners, o exterior deve continuar ditando o desempenho do índice.
No mercado de renda fixa, a reação foi contida. A equipe da Warren Rena não esperava uma reação relevante no mercado de juros decorrente dessa decisão. Os estrategistas Luis Felipe Vital, Cecília Mazzoni e Felipe Figueiró apontaram que o Copom entregou uma decisão em linha com a precificação majoritária do mercado e, embora tenha buscado reforçar a mensagem de cautela na condução da política monetária, continuou sinalizando que, havendo espaço, deverá prosseguir com o processo de calibragem. Gabriel Santos, head de research da Bloxs, compartilha dessa visão, destacando que a reação da curva tende a depender menos da decisão em si e mais do tom do comunicado. Como o texto manteve a postura de serenidade e cautela, a leitura é mais neutra para levemente conservadora.
Before da decisão, a curva a termo já precificava um corte de 15 pontos-base na reunião de setembro. Nesta quarta-feira, a taxa de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, caiu quase 3 pontos-base e fechou a 13,770% ante 14,786% do ajuste anterior. A taxa de DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 14,315%, ante 13,375% do fechamento anterior, uma redução de 6 pontos-base.
No mercado de câmbio, o dólar à vista (USDBRL) encerrou a sessão nesta quarta-feira a R$ 5,1282, com leve recuo de 0,05%, em linha com o índice DXY. De acordo com Augusto Parente, especialista em investimentos e sócio da AW Capital, o real deve seguir beneficiado pelo diferencial de juros entre EUA e Brasil.
Conteúdo reescrito pelo Pense Mercado com base nas fontes acima. Não constitui recomendação de investimento.