Preços no atacado caem pela primeira vez em 10 meses com queda de combustíveis
Os preços no atacado apresentaram queda em junho pela primeira vez em dez meses, movimento impulsionado principalmente pela redução nos preços dos combustíveis. O resultado, porém, ocorre em contexto de inflação ainda elevada, e sua sustentabilidade permanece incerta diante de renovadas hostilidades entre os Estados Unidos e Irã.
O índice de preços de demanda final caiu 0,3% em junho, resultado que atendeu às expectativas dos analistas. Na base anual, o índice de demanda final avançou 5,5% até junho. A queda mensal foi impulsionada principalmente por uma retração de 1,4% nos preços de bens de demanda final, o maior recuo desde julho de 2022, quando os preços de bens caíram 1,9%. Os preços de energia lideraram esse declínio, retraindo 6,4% no mês, enquanto os preços de alimentos também recuaram 0,6%. Os preços de bens de demanda final excluindo alimentos e energia subiram levemente 0,2%.
A gasolina foi o principal fator por trás da queda de junho nos preços de bens de demanda final, registrando queda de 12%. Além da gasolina, outros produtos também apresentaram redução: óleo diesel, combustível de aviação, vegetais frescos, petróleo bruto e resinas termoplásticas. Por outro lado, produtos plásticos e energia elétrica residencial figuraram entre as categorias que registraram aumentos.
Os preços de serviços de demanda final subiram 0,2% em junho após caírem 0,1% em maio. Mais de 60% desse ganho foi originário das margens de serviços comerciais, que avançaram 0,4%. As margens para varejo de combustíveis e lubrificantes saltaram 13%, representando aproximadamente metade do aumento de serviços. As margens para comercialização de máquinas e veículos sofreram declínio de 8,4%.
A medida de núcleo do índice, que exclui alimentos, energia e serviços comerciais, subiu 0,1% em junho após pular 0,8% em maio. Essa medida registrou alta de 5,1% nos últimos 12 meses. O resultado do núcleo ficou aquém da expectativa dos previsores, que haviam antecipado ganho de 0,3%, segundo a CNBC.
No nível de demanda intermediária, os preços de bens processados caíram 1,2%, o maior declínio desde dezembro de 2022, impulsionado por queda de 7,3% em bens de energia processada. Os preços de bens não processados recuaram 4,1%, a queda mais acentuada desde maio de 2023, com materiais de energia não processados caindo 8,1%. O petróleo bruto registrou recuo de 12,1% e o óleo diesel caiu 18%.
A questão central, conforme aponta a MarketWatch, é se o recuo dos preços no atacado registrado em junho representa uma tendência duradoura, dada a escalada de tensões entre os Estados Unidos e Irã. O próximo relatório de preços no atacado, que cobrirá julho de 2026, está programado para divulgação em 13 de agosto de 2026.
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