Petróleo sobe forte após novos ataques entre EUA e Irã no Estreito de Ormuz
Os preços do petróleo registraram forte valorização nesta segunda-feira após a escalada de tensões entre Estados Unidos e Irã durante o fim de semana. O Brent ultrapassou os US$ 78 por barril, avançando 2,95%, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) subia 2,81%, sendo negociado próximo de US$ 73,42 por barril. Os ganhos refletem o retorno da incerteza geopolítica aos mercados de energia após uma série de novos ataques militares que ameaçam as rotas comerciais estratégicas.
A situação no Estreito de Ormuz voltou a criar divergências entre os dois lados. O Irã afirmou que a passagem marítima estaria fechada até novo aviso, enquanto o Comando Central dos EUA (Centcom) informou ter iniciado novos ataques para garantir a liberdade de navegação na via. Neste domingo, praticamente não houve tráfego pelo estreito, que normalmente é responsável pelo transporte de aproximadamente um quinto da oferta global de petróleo bruto e gás natural liquefeito. Dados de rastreamento marítimo indicaram que o tráfego de embarcações atingiu seu menor nível em cinco semanas, com apenas embarcações de derivados de petróleo se aproximando da passagem estratégica. O Joint Maritime Information Center, porém, informou que a rota marítima ao sul, coordenada por Omã, continua disponível para navegação.
A nova escalada ameaça comprometer os esforços para recompor os estoques globais de petróleo, atualmente reduzidos. A Agência Internacional de Energia (AIE) havia alertado na última sexta-feira sobre essa possibilidade ainda neste ano, destacando o que está em jogo para a economia global caso o conflito persista. Os analistas do ANZ apontaram que as empresas de transporte marítimo estão adotando uma postura cautelosa, com movimentos de entrada diminuídos diante do aumento das preocupações com a segurança.
O impacto dos ataques também reduz as perspectivas de solução diplomática. O presidente do parlamento iraniano e principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, declarou que a era dos acordos unilaterais acabou. Teerã insistiu que Washington precisa primeiro cumprir compromissos anteriores relacionados às travessias pelo Estreito de Ormuz e à normalização das exportações de petróleo iranianas antes que as negociações possam ser retomadas. O presidente dos EUA, Donald Trump, declarou que o cessar-fogo acabou, mas afirmou que o governo americano continua disposto a manter as negociações.
A intensificação dos ataques lança dúvidas sobre o futuro de um acordo provisório entre Estados Unidos e Irã, assinado no mês passado. O acordo tinha como objetivo reabrir o estreito e encerrar a guerra após mais 60 dias de negociações. A oferta global de petróleo havia aumentado em 4,1 milhões de barris por dia em junho após o acordo, representando uma primeira recuperação após a escalada inicial do conflito no fim de fevereiro.
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