Novas tarifas dos EUA atingem 23,1% das exportações brasileiras
As novas tarifas dos Estados Unidos atingirão 23,1% das exportações brasileiras para o país, segundo estimativa divulgada nesta sexta-feira, 24, pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O levantamento detalha como essas medidas se distribuem entre os diferentes produtos e setores da economia brasileira.
Do total de exportações afetadas, 16,5% estarão sujeitas à sobretaxa acumulada de 37,5%. Esse percentual resulta da aplicação combinada de duas medidas: a tarifa de 25% anunciada na semana anterior, designada como Seção 301-Brasil, e a nova taxa de 12,5%, apresentada pelos norte-americanos nesta quinta-feira, referente à Seção 301 aplicada aos 60 maiores parceiros comerciais. Produtos como máquinas e equipamentos, vários tipos de madeira, gorduras e óleos, calçados, móveis e confecções figuram nesta categoria com maior impacto tarifário.
Além dessa faixa, 1,9% das exportações brasileiras terão apenas a sobretaxa de 25%, referente à Seção 301-Brasil, que abrange produtos como açúcar. Simultaneamente, 4,7% das exportações estarão sujeitas exclusivamente à tarifa de 12,5%, que incide sobre itens como obras de pedra, gesso e matérias semelhantes, minérios, óleos essenciais, produtos de perfumaria e pescados.
A primeira decisão tarifária, a Seção 301-Brasil, refere-se a uma investigação específica conduzida pelos Estados Unidos em relação ao Brasil. Essa medida entrou em vigor na quarta-feira, 22, com ressalva para mercadorias já embarcadas e em trânsito antes dessa data, desde que ingressem em território norte-americano até o dia 29 de julho. A segunda medida, a Seção 301 para os 60 maiores parceiros comerciais, está associada à investigação sobre práticas relacionadas à prevenção e combate ao trabalho forçado nas cadeias globais de suprimento.
Conforme o MDIC, 24,2% das exportações brasileiras estão sujeitos a tarifas específicas aplicadas, em regra, a todos os países com base na Seção 232. Já cerca de 52,7% das exportações brasileiras para os Estados Unidos não estão alcançadas pelas sobretaxas setoriais da Seção 232 nem por tarifas amplas ou específicas no âmbito da Seção 301, permanecendo sujeitas apenas às tarifas ordinárias norte-americanas. Nessa categoria encontram-se produtos como café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja, frutas, vários produtos químicos e a maior parte das exportações de celulose.
A Confederação Nacional da Indústria (CNI) complementou esse quadro ao divulgar um levantamento nesta sexta-feira, 24, apontando que 3,9 mil produtos brasileiros serão taxados em 37,5% pelos Estados Unidos, representando 25,5% de todas as exportações do Brasil aos EUA, considerando dados de 2024.
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