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Mercado descarta corte da Selic em setembro com disparada dos juros globais

🕐 23/07/2026 às 19:01 👁 0 visualizações
Mercado descarta corte da Selic em setembro com disparada dos juros globais
O mercado zerou as apostas de redução da Selic em setembro após disparada dos juros globais. A alta foi impulsionada por tensões geopolíticas no Oriente Médio e retorno do petróleo Brent a US$ 100, elevando também as expectativas de aumento dos juros nos EUA.

A curva de juros futuros registrou uma reversão significativa nas expectativas para a decisão de setembro do Banco Central. Nesta quinta-feira (23), o mercado praticamente zerou as apostas de corte na Selic, depois de precificar, desde a semana passada, uma redução adicional na taxa básica de juros após dados de inflação mais benignos no Brasil e nos Estados Unidos. A taxa básica de juros está atualmente em 14,25% ao ano.

A mudança nas expectativas foi abrupta. Na última atualização de ontem (22), as Opções do Copom negociadas na B3 apontavam 52% de chance de algum corte da Selic em setembro, enquanto a curva a termo precificava um corte de 5 pontos-base para o mês. Essa perspectiva foi completamente desfeita em questão de horas.

A reversão foi causada pela disparada dos juros globais, provocada pela escalada das tensões entre Estados Unidos e Irã no Oriente Médio. O cenário geopolítico elevou a aversão a risco no mercado internacional, com uma nova rodada de ofensivas entre as duas nações pelo 12º dia consecutivo. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, prometeu uma "forte retaliação militar" contra o Irã e seus aliados houthis do Iêmen após combatentes do grupo militante iemenita atacarem dois petroleiros sauditas no Mar Vermelho. Com a crescente tensão, o petróleo Brent, referência mundial da commodity, voltou a ser cotado no nível de US$ 100 o barril, reacendendo temores inflacionários.

Nos EUA, o retorno do título de dez anos atingiu o maior nível desde janeiro de 2025, alcançando 4,714% pela manhã, superando a máxima intradia de 4,687% registrada em maio deste ano. Esta taxa é referência para empréstimos imobiliários, financiamento de veículos e dívidas de cartão de crédito. Os investidores ampliaram significativamente as apostas de alta nos juros do Federal Reserve nos próximos meses. Segundo a ferramenta FedWatch do CME Group, a probabilidade de elevação nos juros pelo Fed em setembro superou 80%.

No Brasil, as taxas de Depósito Interfinanceiro voltaram a se aproximar de 15%, com avanço expressivo nos vértices de médio prazo. A taxa de DI para janeiro de 2027, de curtíssimo prazo, fechou a 14,045% ante 13,950% do fechamento anterior, uma alta de quase 10 pontos-base. A taxa de DI para janeiro de 2029, de médio prazo, subiu 21 pontos-base e encerrou a 14,705%, ante 14,490% do fechamento da véspera. A taxa de DI para janeiro de 2036, de longo prazo, terminou o dia a 14,825% ante 14,685% do fechamento de ontem, avanço de 14 pontos-base.

Para a reunião do Copom de 5 de agosto, a curva a termo mantém uma perspectiva diferente. Há cerca de 68% de chance de redução de 25 pontos-base na Selic, segundo Flávio Serrano, economista-chefe do banco BMG, ante a manutenção de 32%. Nos Estados Unidos, o mercado também precifica manutenção dos juros na faixa de 3,50% a 3,75% ao ano para a próxima reunião do Fed na quarta-feira (29).

O cenário de aversão ao risco também impactou a taxa de câmbio. O dólar à vista interrompeu uma sequência de três quedas consecutivas nesta quinta-feira (23), terminando as negociações a R$ 5,0839, com alta de 0,64%. O dólar acompanhou o fortalecimento da divisa no exterior ao longo da sessão. O DXY, indicador que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais como euro e libra, subia 0,31% aos 101.438 pontos próximo às 17h, horário de Brasília. Como observou Luca Girardi, analista de investimentos da Nomad, o cenário reacendeu temores inflacionários e reforçou a busca por proteção nos mercados.

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Ativos mencionados
CME DI
Fontes
🔗 Money Times (fonte principal) 🔗 Money Times: Dólar sobe a R$ 5,08 com disparada dos juros globais

Conteúdo reescrito pelo Pense Mercado com base nas fontes acima. Não constitui recomendação de investimento.

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