Mercado de capitais em R$ 57 trilhões: entenda por que o número é diferente do dinheiro investido
O mercado de capitais brasileiro alcançou R$ 57,18 trilhões em setembro de 2026, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O número é expressivo, mas um detalhe essencial altera significativamente a interpretação dessa cifra: quando o valor de referência dos contratos derivativos é excluído do cálculo, o montante reduz-se para R$ 19,65 trilhões.
A diferença de R$ 37,53 trilhões não representa dinheiro desaparecido nem perda financeira. Ela resulta da metodologia da CVM, que reúne diferentes tipos de ativos e contratos em seu levantamento, incluindo operações cujo valor de referência não corresponde necessariamente ao capital efetivamente aplicado pelos investidores. Os números fazem parte do Boletim Econômico do terceiro trimestre e demonstram que, mesmo excluindo o valor nocional dos derivativos, o mercado regulado cresceu 8,7% em relação ao encerramento de 2025.
Para compreender essa discrepância, é fundamental conhecer o conceito de valor nocional, utilizado como referência no cálculo de determinadas operações financeiras. Nos derivativos, como contratos futuros de dólar e de juros, as negociações ocorrem com base em um valor que determina a exposição financeira e os resultados do contrato. Contudo, isso não implica que o investidor necessite desembolsar a integralidade desse montante.
Um exemplo prático ilustra essa dinâmica: em uma operação no mercado futuro representando R$ 100 mil, o participante da negociação não precisa aplicar esse valor integralmente. Em vez disso, deve apresentar garantias e arcar com os ajustes decorrentes das flutuações de preços. É precisamente essa distinção que aparece no levantamento da CVM. Dos R$ 57,18 trilhões estimados para o mercado regulado, R$ 37,53 trilhões correspondem ao estoque nocional de derivativos, que cresceu 14,6% desde dezembro de 2025.
Ambos os números estão corretos, mas representam medidas distintas. Enquanto o total de R$ 57,18 trilhões inclui o valor de referência dos contratos, os R$ 19,65 trilhões o excluem, embora também não correspondam integralmente ao dinheiro efetivamente aportado.
Sem o estoque nocional dos derivativos, os fundos de investimento representam a maior parcela do mercado considerado pela CVM. O patrimônio sob gestão dessas carteiras alcançou R$ 12,17 trilhões em setembro, crescimento de 8,7% em relação ao fim de 2025.
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