Marabraz protocola recuperação judicial com dívida de R$ 140 milhões
A Lojas Marabraz, uma das redes de móveis e eletrodomésticos mais conhecidas do Estado de São Paulo, protocolou ontem pedido de recuperação judicial. A petição foi encaminhada à 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Estado de São Paulo pelo escritório Campana Pacca, em caráter de urgência, envolvendo dívidas da ordem de R$ 140 milhões.
A empresa, originária de uma família libanesa que iniciou seu negócio em 1950, começou em 2023 o que chamou de plano de transformação, implementando medidas operacionais e financeiras destinadas à melhoria de sua eficiência, rentabilidade e geração de caixa.
Segundo o documento protocolado, os problemas financeiros da Marabraz derivam de múltiplos fatores. Além dos efeitos da alta persistente do juro, a petição aponta disputas societárias e familiares como contribuintes para a crise. Historicamente, a família captava recursos junto ao mercado financeiro para expansão e exercício de suas atividades, intensas em capital de giro, utilizando ativos e especialmente imobiliários como garantia.
No contexto dessas disputas, os administradores responsáveis pela condução da atividade empresarial deixaram de exercer controle sobre as sociedades titulares do patrimônio imobiliário. Como resultado, o grupo Marabraz perdeu essas garantias, comprometendo a renovação de linhas de crédito existentes, a contratação de novas operações e a manutenção das condições de crédito.
A rede chegou a operar 135 lojas distribuídas pela Região Metropolitana de São Paulo, Baixada Santista, Vale do Paraíba e interior do Estado. Além dos problemas familiares e das taxas de juros elevadas, outros fatores agravaram a situação: a retração do consumo, o aumento da inadimplência e as transformações decorrentes da digitalização do comércio, que atingiram vários varejistas do mesmo segmento.
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