Lula defende aumento de pena para feminicídio em meio a desgaste de Flávio
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu nesta quinta-feira aumentar a pena para homens que matam mulheres. O discurso, usualmente associado com políticos de direita, foi feito durante evento no Rio Grande do Norte (RN), em um momento em que seu principal adversário na disputa presidencial, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), enfrenta desgastes com o público feminino.
Lula citou o Pacto contra o Feminicídio, assunto frequente em seus discursos nos últimos meses. O presidente destacou que a primeira-dama Rosângela da Silva, conhecida como Janja, está à frente dessa discussão. Segundo Lula, é preciso ser duro na abordagem do tema, ressaltando que é importante que todo homem saiba que só existimos porque nascemos de uma mulher.
Durante o pronunciamento, Lula detalhou as medidas que pretende implementar no âmbito do Pacto contra o Feminicídio. O presidente afirmou que o cidadão que bater na mulher deverá ser punido e será obrigado a utilizar tornozeleira, impedindo inclusive contato físico se a mulher desejar. Além disso, defendeu o aumento da pena para quem mata mulher. Lula mencionou casos específicos de violência extrema para justificar seu posicionamento: trancar a mulher e o filho em casa e tocar fogo, e também o caso de um cidadão que deu 66 socos na cara da mulher.
O contexto político de seu discurso torna-se mais claro quando considerados os recentes problemas de Flávio Bolsonaro com o público feminino. O senador participou de um café da manhã com mulheres na quarta-feira. Porém, na semana anterior, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro publicou um vídeo nas redes sociais dizendo ter se sentido humilhada por Flávio em uma conversa que tiveram por causa de divergências na condução de alianças políticas no Ceará.
Durante o evento no Rio Grande do Norte, Lula também participou da inauguração de um túnel de transposição de águas do rio São Francisco para o Estado. O presidente informou que não poderá mais inaugurar obras por causa da lei eleitoral, embora possa continuar visitando obras nos Estados. Segundo Lula, só pode inaugurar obra até o dia 4 de julho, a partir do qual não poderá mais fazê-lo por causa das eleições. Ele ressaltou, porém, que poderá visitar obras, retornando para ver a universidade e outras construções, embora não possa fazer discursos durante tais visitas.
O presidente também direcionou cobranças ao governo estadual durante o evento. Lula cobrou da governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), que o secretário de Saúde do Estado faça propaganda do Brasil Sorridente, programa do governo federal de assistência odontológica. Lula apontou que muita gente sem dente não sabe que tem acesso ao programa, e criticou a tendência de profissionais de saúde em fazer propaganda apenas de suas próprias especialidades.
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