Irã anuncia fechamento indefinido do Estreito de Ormuz e afirma ter atingido embarcação
A Marinha da Guarda Revolucionária do Irã (IRGC) anunciou neste sábado, 11, um novo fechamento do Estreito de Ormuz por tempo indeterminado. Segundo comunicado da instituição divulgado pela imprensa estatal iraniana, nenhuma embarcação poderá atravessar o estreito "até novo aviso" enquanto persistir o que Teerã classifica como "interferência americana" na região. A medida amplia significativamente a tensão com os Estados Unidos e volta a restringir o tráfego por uma das principais vias de escoamento de petróleo e gás do mundo.
A situação da hidrovia tem apresentado mudanças frequentes nos últimos dias, com relatos alternados de reabertura total ou parcial seguidos por novas restrições. Antes da guerra, aproximadamente um quinto do petróleo e do gás natural comercializados globalmente passava pelo Estreito de Ormuz. Mesmo sem uma interrupção prolongada, a incerteza sobre a passagem de navios tende a pressionar os custos de frete e seguro, além de elevar o risco sobre o abastecimento global de energia.
A IRGC afirmou que disparou tiros de advertência contra uma embarcação que navegava por uma rota considerada irregular e estava com os sistemas de rastreamento desligados. Posteriormente, a agência semioficial Fars informou que o navio foi atingido por um míssil de cruzeiro após ignorar ordens para recuar. O Irã não divulgou a identificação da embarcação, a bandeira, o tipo de carga ou a situação da tripulação, e não houve confirmação independente de que o navio tenha sido atingido por um míssil.
O anúncio ocorreu horas depois de o ministro das Relações Exteriores iraniano, Abbas Araghchi, se reunir em Mascate com autoridades de Omã para discutir mecanismos de segurança para a navegação. O governo de Omã informou que os dois países concordaram em manter conversas técnicas e políticas, mas Teerã rejeitou a proposta de criação de duas rotas separadas para a passagem de navios.
O Irã defende que o controle das rotas permaneça sob sua autoridade, em coordenação com Omã, e não seja definido por potências estrangeiras. A disputa transformou o estreito em uma das principais cartas de Teerã nas negociações regionais.
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