Paradigm levanta US$ 1,2 bi para investir em IA, robótica e criptografia
A gestora de venture capital Paradigm anunciou na quarta-feira a captação de US$ 1,2 bilhão, correspondente ao seu terceiro fundo de investimento e quarto veículo geral. O anúncio foi feito pelo fundador da empresa, Matt Huang, com o objetivo de investir na chamada "fronteira técnica" — um conceito que se estende além das raízes da empresa no setor de criptografia.
A expansão estratégica da Paradigm marca um deslocamento notável em seu escopo de atuação. O novo fundo deverá ampliar o foco de investimentos para incluir robótica e inteligência artificial, movimentação que reflete a dinâmica atual do mercado de venture capital, onde a IA conquistou espaço significativo nos últimos anos, enquanto o setor de criptografia enfrentou desafios.
Em um comunicado publicado em blog, Huang e a sócia-gerente da firma, Alana Palmedo, reafirmaram que a empresa não está abandonando completamente a criptografia. De acordo com o texto, a Paradigm irá "continuar investindo em criptografia e na reinvenção de mercados e do sistema financeiro" e "continuará a pesquisar e construir onde acelera a indústria, desde ferramentas blockchain (Foundry, Reth) até ferramentas de agentes (Centaur) até trabalho de segurança (EVMbench, uma colaboração com OpenAI)". Essa abordagem evidencia uma visão integrada de tecnologia, onde a criptografia permanece central na estratégia, embora compartilhe protagonismo com novas frentes.
Para Palmedo, a diversificação se justifica pela relevância do momento. Em entrevista à Bloomberg, ela afirmou que "há muita coisa acontecendo agora que é bem difícil de ignorar". O fundo já realizou investimentos iniciais, incluindo aportamentos na empresa de entrega por drones Zipline e na startup de tecnologia espacial True Anomaly.
A Paradigm foi fundada em 2018 por Matt Huang, ex-sócio da Sequoia, e Fred Ehrsam, cofundador da exchange de criptografia Coinbase. A empresa protocolou o registro do novo fundo no início deste ano, conforme divulgado em arquivos da SEC (Comissão de Valores Mobiliários dos EUA). O tamanho final do fundo é ligeiramente inferior aos US$ 1,5 bilhão que a empresa buscava levantar, conforme reportado pelo Wall Street Journal em fevereiro.
A captação atual de US$ 1,2 bilhão supera o fundo anterior da empresa, anunciado em 2024, que teve volume de US$ 850 milhões e foi direcionado a projetos de criptografia em estágio inicial. Na ocasião, Huang argumentou que o setor estava entrando em um período importante para novos protocolos e empresas. Com o novo aporte, a Paradigm passa a administrar aproximadamente US$ 11,9 bilhões em ativos em 2025.
A portfólio de criptografia da firma inclui empresas como Uniswap e Kalshi, além de outras companhias de infraestrutura e tecnologia financeira. A empresa também tem desenvolvido trabalho na intersecção entre pagamentos e tecnologia de fronteira. Nesse contexto, a expansão para IA e robótica não necessariamente representa uma separação desses setores em relação à criptografia. Pagamentos autônomos, sistemas financeiros programáveis e comércio liderado por máquinas estão criando áreas onde ambas as tecnologias cada vez mais se sobrepõem, oferecendo a um investidor técnico especializado em criptografia um ponto de entrada familiar em um mercado significativamente maior.
Equipes de venture capital criptográficas construíram, ao longo dos anos, especialização em software, criptografia e sistemas financeiros abertos. A Paradigm agora aposta que esse mesmo modelo pode se expandir além desses domínios tradicionais. O fundo de US$ 1,2 bilhão fornece o capital necessário para testar essa tese sem se afastar do setor que consolidou a reputação da empresa.
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