Ibovespa sobe 1,16% e dólar cai apesar de ameaça de tarifas dos EUA
O mercado acionário brasileiro surpreendeu ao reagir positivamente mesmo diante do anúncio de uma possível tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, proposta pelo governo americano. A medida, que está sendo investigada no contexto de práticas comerciais consideradas desleais, prevê exceções relevantes que abrangem aeronaves, café e alguns insumos, distribuídos em um documento de 73 páginas.
O Ibovespa, índice de referência do mercado acionário brasileiro, subiu 1,16%, fechando em 174.197,10 pontos. Durante o pregão, o índice marcou máxima de 174.894,05 pontos e mínima de 172.198,54 pontos, com volume financeiro total de R$ 22,65 bilhões. Já o dólar apresentou movimento de baixa, recuando 0,24% para R$ 5,0098, acumulando recuo de 8,73% ante o real no ano.
Segundo avaliação da Ágora Investimentos, embora a medida ainda tenha de passar por consulta pública e negociação, ela eleva a incerteza para exportadores brasileiros e pode pressionar câmbio, percepção de risco e visibilidade de setores ligados ao comércio exterior. Contudo, o mercado doméstico não sofreu impactos negativos em um primeiro momento.
Rachel de Sá, estrategista da XP Investimentos, explica que a proposta inicialmente parecia ter potencial para pressionar os mercados. Ao analisar mais atentamente o conteúdo, porém, a avaliação mudou para impacto limitado no curto prazo, justamente levando em conta as exceções presentes. A especialista conclui que o episódio não é motivo para pânico e tende a fazer pouco preço no dia.
Nem todos compartilham dessa visão otimista. Fábio Murad, sócio e fundador da Ipê Avaliações, aponta que a proposta deve ser lida como risco macroeconômico real, não apenas como ruído político. Mesmo com exceções relevantes, o mercado tende a reagir ao sinal de tensão institucional e comercial entre os dois países, porque isso afeta percepção de risco, fluxo estrangeiro, câmbio e prêmio exigido para investir no Brasil.
Murad ressalta que, para o investidor internacional, o problema não está apenas na tarifa em si, mas na possibilidade de o Brasil passar a ser visto como um mercado com maior incerteza regulatória e diplomática. Isso pode gerar uma postura mais seletiva em relação à Bolsa, aos fundos, aos ETFs e aos ativos de longo prazo.
André Matos, CEO da MA7 Negócios, pondera que a notícia não pode ser tratada como simples ruído político, mas também não justifica pânico. Sua análise também leva em conta a grande lista de exceções entre os setores sujeitos à tarifação.
Conteúdo reescrito pelo Pense Mercado com base nas fontes acima. Não constitui recomendação de investimento.