Ibovespa recua 0,52% após rali histórico, mas mantém-se acima de 205 mil pontos
O Ibovespa fechou esta terça-feira em correção após o extraordinário desempenho da véspera. O principal índice da bolsa brasileira recuou 0,52%, aos 205.835,29 pontos, devolvendo 1.076,60 pontos dos incríveis 14,7 mil pontos ganhos na sessão anterior, quando avançou cerca de 8%. Durante o pregão, o índice oscilou entre a mínima de 204.725,23 pontos e a máxima de 209.522,60 pontos, chegando a renovar seu recorde histórico aos 209.626 pontos antes de virar para o vermelho. O volume financeiro movimentado somou R$ 43,5 bilhões.
O movimento caracterizou-se como uma realização de lucros após a forte alta relacionada às eleições presidenciais. Leonardo Mendes, consultor financeiro da Manchester Investimentos, avaliou que "é mais um ajuste às médias, mas o movimento estrutural do Ibovespa ainda é de alta". Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, reforçou que "normalmente, após um movimento muito forte de alta, o mercado tende a embolsar parte do lucro, e isso é bem saudável". Segundo Magno, como a negociação de segunda-feira foi praticamente histórica, com quase R$ 80 bilhões movimentados, é natural que alguns ativos caiam sem nenhuma notícia aparente, apenas em movimento de realização de lucros.
A correção foi puxada principalmente pelas blue chips que haviam disparado no pregão anterior. Banco do Brasil despencou 6,42% após ter avançado 11% na véspera, movimento intensificado por rebaixamentos de recomendação do JP Morgan, que alterou a recomendação de neutra para venda e manteve o preço-alvo em R$ 23. Petrobras recuou 2,78%, enquanto Vale perdeu 1,44%. Axia Energia também devolveu parte da disparada anterior com queda de 3,10%, e Magazine Luiza, que havia saltado mais de 24% na segunda-feira, recuou 2,22%.
Não todos os ativos sofreram com a realização. Bradesco avançou 4,40%, Santander ganhou 3,23% e Itaú Unibanco subiu 1,96%. O movimento também continuou positivo entre empresas sensíveis aos juros, como Minerva, Vamos e Cogna, beneficiadas pela expectativa de queda dos juros futuros. Rebecca Nossig, estrategista de ações da Nomad, avaliou que a realização parcial "não compromete o viés otimista que se instalou no mercado doméstico após o primeiro turno das eleições".
O contexto de euforia no mercado está ligado à eleição presidencial. As chances de Flávio Bolsonaro se eleger aumentaram consideravelmente após o primeiro turno, com uma diferença entre os dois postulantes inferior a 2 pontos percentuais dos votos válidos (1,87 pontos percentuais). Flávio Bolsonaro reforçou o discurso que o mercado deseja ouvir, informando que pretende reduzir os impostos sobre a folha de pagamento e perseguir uma diminuição da carga tributária do país. Leonardo Mendes mencionou que, se eleito, há possibilidade de Bolsonaro adotar uma política voltada à retomada do superávit primário no país, o que poderia derrubar os juros e ajudar a destravar o custo de capital das empresas.
O desempenho das ações brasileiras no exterior também refletiu a euforia. O EWZ, fundo com cotas negociadas na Bolsa de Nova York que replica o índice MSCI Brasil, negociou na segunda-feira US$ 8,2 bilhões, o maior volume diário em seus 25 anos de existência.
No câmbio, o movimento foi de enfraquecimento do dólar. A moeda comercial caiu 0,51%, fechando a R$ 4,976, abaixo dos R$ 5 pela primeira vez desde maio. Na mínima do dia, chegou a R$ 4,946. Gabriel Magno explicou que além das expectativas domésticas, o fluxo estrangeiro ajuda a explicar o fortalecimento do real. "Conforme o capital estrangeiro entra no mercado brasileiro, seja via título público ou via bolsa, o investidor de fora precisa trocar seus dólares por reais, o que pesa contra a moeda norte-americana em relação ao real". Magno também observou que "o mercado já começa a colocar a moeda abaixo dos R$ 5 nas projeções".
Os juros futuros (DIs) repetiram a performance da sessão anterior e caíram por toda a curva. Para Magno, é factível um cenário de Ibovespa acima dos 220 mil pontos caso Flávio Bolsonaro seja realmente eleito presidente e entregue as medidas necessárias para equilibrar as contas públicas brasileiras. Nos próximos dias, conforme o executivo, os investidores ficarão atentos às notícias que virão de Brasília, mas também aos movimentos bruscos nos ativos.
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