Ibovespa fecha primeiro semestre com alta de 6,76% apesar de queda em junho
O Ibovespa encerrou o primeiro semestre de 2026 com desempenho contraditório. No último pregão de junho, o principal índice da Bolsa brasileira fechou aos 172.024,12 pontos, pressionado pelas ações de Petrobras, Vale e dos grandes bancos. No mês, o IBOV acumulou queda de 1,01%, configurando a quarta retração consecutiva. No trimestre, as perdas foram ainda maiores, com recuo de 8,24%. Apesar desses reveses recentes, o índice conseguiu preservar saldo positivo nos primeiros seis meses do ano, com valorização de 6,76%.
O desempenho negativo de junho foi impulsionado principalmente pela saída de fluxo estrangeiro. Os investidores internacionais retiraram R$ 8,7 bilhões da bolsa brasileira em junho até o dia 26, atraídos pelo rali das ações de tecnologia nos Estados Unidos, Taiwan e Coreia do Sul. Esse movimento redefiniu a dinâmica de entrada de capital na bolsa brasileira, afastando recursos que poderiam ter sustentado cotações mais altas.
Além da dinâmica externa, fatores domésticos também pesaram sobre o mercado. As incertezas políticas relacionadas às eleições presidenciais de outubro seguiram gerando volatilidade, com o risco fiscal ganhando força entre os investidores. O caso Banco Master impactou o cenário político: após afetar a pesquisa eleitoral do senador Flávio Bolsonaro em maio, respingou nos petistas, com o senador Jaques Wagner, ex-líder do governo Luiz Inácio Lula da Silva no Senado, potencialmente pesando nas intenções de voto para presidente na última pesquisa BTG Pactual/Nexus. A moeda americana também avançou, com o dólar à vista acumulando valorização de 2,38% sobre o real em junho e encerrando a sessão cotado a R$ 5,1630.
O mercado também monitorou de perto as negociações entre Estados Unidos e Irã sobre paz no Oriente Médio. Nos dias 21 e 22 de junho, representantes dos dois países se reuniram na Suíça para avançar com um memorando de paz de 60 dias. Após as conversas, o Irã reabriu o Estreito de Ormuz, principal hidrovia para o transporte de petróleo, enquanto o Tesouro dos EUA liberou a produção, entrega e venda de petróleo, derivados e produtos petroquímicos iranianos. Essa desescalada nas tensões refletiu nos preços do petróleo Brent para setembro, que recuaram 19,9% no mês.
No contexto doméstico, dados econômicos também preocuparam investidores. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostrou abertura de apenas 72.960 vagas formais em maio, abaixo da expectativa do mercado, reforçando a percepção de desaceleração da atividade econômica. No entanto, segundo analista de investimentos da Nomad, o dado provocou fechamento da curva de juros futuros e favoreceu a valorização do real, compensando parcialmente os efeitos das preocupações fiscais e da queda do petróleo.
As ações tiveram dinâmicas distintas durante o pregão. A Embraer ficou entre os principais destaques positivos, impulsionada pela certificação internacional do jato Praetor 500E. Na outra ponta, a Raízen liderou as perdas após divulgar prejuízo bilionário. Petrobras, Vale e PRIO também pressionaram o índice, acompanhando o movimento de queda do petróleo e uma realização de lucros dos investidores. O volume financeiro da sessão somou cerca de R$ 23 bilhões.
Apesar de um semestre marcado por uma guerra no Oriente Médio, mudanças na condução da política monetária americana e aumento das incertezas fiscais no Brasil, o Ibovespa conseguiu preservar seu saldo positivo. Os principais índices de Wall Street, por sua vez, encerraram o semestre em alta, registrando o melhor desempenho para um primeiro semestre em cinco anos, impulsionados principalmente por empresas ligadas à inteligência artificial.
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