Ibovespa cai 0,36% com temor por tarifas dos EUA; dólar fecha estável
O Ibovespa fechou a sessão desta quarta-feira em queda de 0,36%, aos 176.010,90 pontos, contrariando o desempenho positivo das bolsas norte-americanas. O pregão foi marcado pelo vencimento de opções sobre o índice e movimentação financeira de R$ 39,85 bilhões. No melhor momento do dia, o índice não conseguiu superar a estabilidade, atingindo 176.662,60 pontos na máxima, enquanto na mínima caiu para 175.288,17 pontos.
A principal razão para o desempenho negativo foi a cautela dos investidores diante da expectativa de novas tarifas dos Estados Unidos sobre produtos brasileiros. O Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) recomendou ao presidente Donald Trump ampliar as tarifas sobre produtos brasileiros, embora tenha sugerido também aumentar a lista de exceções. A possibilidade de um tarifaço de 25% manteve os mercados atentos ao longo de toda a sessão, impactando principalmente as ações de maior peso no índice.
Além das questões comerciais externas, fatores domésticos também pressionaram a bolsa. O cenário fiscal pesou sobre os ativos, especialmente após o Senado aprovar aposentadoria especial para agentes de saúde. A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 14/2021 tem potencial impacto de R$ 28 bilhões nas contas públicas em dez anos, conforme cálculos do Ministério da Previdência Social. Uma pesquisa Genial/Quaest que mostrou bom posicionamento do presidente Lula na corrida presidencial também contribuiu para a cautela dos investidores.
Entre as ações de maior impacto, Itaú Unibanco (ITUB4) caiu 1,12%, enquanto Bradesco, Santander Brasil e BTG Pactual também fecharam no vermelho. Engie Brasil Energia figurou entre as maiores quedas após precificar uma oferta de ações. Na contramão, B3 destacou-se positivamente, apoiada por upgrade do Bank of America. Vale (VALE3) avançou 0,68% após acompanhar a alta do minério de ferro, apesar da volatilidade registrada durante o pregão. Petrobras teve desempenho misto: a ação ON subiu 0,11% enquanto a PN caiu 0,17%. Braskem (BRKM5) liderou as perdas após notícias sobre uma proposta de reestruturação com diluição dos atuais acionistas, enquanto Totvs (TOTS3) foi o principal destaque positivo com alta de 4,18%.
O petróleo encerrou em leve alta, com o WTI para agosto subindo 0,33% (US$ 0,26) a US$ 79,60 o barril, enquanto o Brent para setembro avançou 0,26% (US$ 0,22) a US$ 84,95 o barril. A commodity registrou volatilidade durante a sessão conforme investidores equilibravam os desdobramentos da guerra no Oriente Médio com novos dados da economia americana e os estoques semanais.
No câmbio, o dólar fechou praticamente estável ante o real. A moeda norte-americana encerrou o dia com variação positiva de 0,08%, aos R$ 5,0782. Apesar do enfraquecimento global da moeda americana após divulgação de dados de inflação ao produtor (PPI) mais fracos nos Estados Unidos, o real teve desempenho inferior ao de outras moedas emergentes. A estabilidade relativa do câmbio no Brasil contrariou a tendência internacional, onde o dólar se firmou em baixa durante a sessão ante a maior parte das demais divisas. No acumulado do ano, a moeda norte-americana acumula baixa de 7,48% ante o real.
Em Nova York, as bolsas norte-americanas operaram em alta, com o S&P 500 fechando com ganho de 0,38%, o Dow Jones subindo 0,29% para 52.658,52 pontos e o Nasdaq avançando 0,62% para 26.269,23 pontos. Os mercados internacionais foram impulsionados pelos dados de inflação ao produtor mais fracos nos Estados Unidos e por um início robusto da temporada de resultados do segundo trimestre.
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