Ibovespa cai 0,26% com incerteza eleitoral; dólar sobe a R$ 5,22
O Ibovespa registrou queda de 0,26% nesta segunda-feira, encerrando as negociações aos 182.991,13 pontos, uma perda de 485,73 pontos. A sessão foi marcada por forte volatilidade, com o índice começando em queda acentuada, recuperando-se para ganhos intradiários e finalmente fechando no vermelho com pouca amplitude. O volume financeiro negociado somou R$ 18 bilhões.
O movimento de cautela estendeu-se à moeda americana. O dólar comercial terminou com alta de 0,85% a 0,86%, cotado a R$ 5,225. Simultaneamente, os DIs (depósitos interfinanceiros), que refletem as expectativas para as taxas de juros futuras, apresentaram altas por toda a curva de vencimentos sem oscilações significativas.
O principal fator de pressão sobre os mercados foi a proximidade das eleições de domingo, 4 de outubro. Novas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira mantêm o cenário observado nas últimas duas semanas: a corrida apresenta-se extremamente acirrada, em votação voto a voto. Segundo o levantamento BTG Pactual/Nexus, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) encontram-se tecnicamente empatados em um eventual segundo turno. Já pela Quaest, Lula lidera no primeiro turno, enquanto o presidente e o senador apresentam 42% em um possível segundo turno.
Segundo Rachel de Sá, estrategista de investimentos da XP, o mercado iniciou a semana em tom de cautela, com pressões contraditórias. Se as empresas petroleiras como Petrobras e Vale beneficiavam-se da alta internacional do petróleo, a aversão ao risco global e o cenário político trouxeram volatilidade. "O trade eleitoral tem sido bastante chave nestas semanas que antecedem a eleição de domingo, mantendo a volatilidade presente nos pregões", avaliou a estrategista.
Para lidar com a incerteza eleitoral, analistas montaram cestas de ações ligadas ao governo atual e ao desafiante Flávio Bolsonaro, além de seleções resilientes a qualquer resultado eleitoral. O cenário mais otimista prevê alta de 76% para o MSCI Brazil. Conforme identificado pelo JPMorgan após conversas com cerca de 50 investidores em São Paulo e no Rio de Janeiro, os investidores estão concentrando apostas em empresas financeiras ligadas ao mercado de capitais, como XP, BTG Pactual e B3, mantendo posições mais leves em bancos tradicionais e digitais.
Na ponta negativa do índice, Natura liderou as perdas com recuo de 5,76%. Na ponta positiva, Prio encabeçou os ganhos, conforme informações das fontes.
Além das incertezas eleitorais, o mercado de renda fixa foi impactado por anúncios importantes divulgados no final da semana anterior: a proibição das bets e o novo programa Desenrola. Segundo Rachel de Sá, a proibição das apostas afeta a arrecadação, enquanto o novo Desenrola impacta as despesas. Somado ao anúncio do aumento do Bolsa Família previsto para a semana seguinte, estas medidas criam mais incerteza fiscal, precificada principalmente no mercado de renda fixa.
O pessimismo se estende ao horizonte de médio prazo. As empresas consultadas pelo Banco Central apresentaram projeção mais alta para a inflação em 2027, refletindo também aumento no pessimismo com a economia atual, conforme a nova edição da pesquisa trimestral Firmus. A mediana das expectativas para a inflação em 2027 passou de 4,0% no relatório de junho para 4,5% no atual. No Boletim Focus da semana, houve também elevação da projeção de inflação para 2026 (de 4,92% para 4,99%) e para 2027 (de 4,30% para 4,31%), com efeitos do El Niño no radar, além do dado mais elevado da prévia de setembro.
A turbulência não se limita ao Brasil. Os mercados internacionais também enfrentam pressão, com os títulos do Tesouro dos Estados Unidos e o petróleo seguindo pressão. Conforme mencionado nas fontes, o cenário político internacional, particularmente o pleito de meio de mandato norte-americano, também contribui para a aversão global ao risco que afeta os ativos brasileiros.
Matéria reescrita por inteligência artificial do Pense Mercado a partir das fontes acima, sob as regras da nossa política editorial. Não constitui recomendação de investimento.